São Paulo, 28 de Setembro de 2016

/ Economia

EUA liberam importação de carne in natura e iniciam acordo aduaneiro
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Durante a visita de Dilma, duas demandas comerciais avançam. Para Carlos Brito, brasileiro que preside a Anheuser Busch Inbev. a crise que o país atravessa é "transitória"

Exportador de carne industrializada para o mercado norte-americano, o Brasil poderá ampliar suas vendas da versão in natura, com o anúncio feito nesta segunda-feira (29/6), durante a visita da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos. Outra medida foi a assinatura de um cronograma para o estabelecimento de acordo aduaneiro entre os dois países -que será selado até junho de 2016. 

Após reunião com a presidente Dilma, Carlos Brito, presidente executivo da Anheuser-Busch InBev,  avaliou que o fraco crescimento que o Brasil vem apresentando é transitório. "É totalmente transitório. Sempre somos muito otimistas com o Brasil, porque os fundamentos do país, a classe média, a demografia, os recursos naturais, isso não muda", disse Brito.

DILMA COM EMPRESÁRIOS DO SETOR FINANCEIRO EM NOVA YORK/Foto: Roberto Stuckert Filho/Agência Brasil

Para o empresário, a iniciativa da presidente de se aproximar de empresários e empresas dos Estados Unidos e estar aberta ao diálogo é um "passo importante". Dilma se reuniu com executivos de vários setores, como automobilístico, educação, energia e varejo. Além da Anheuser-Busch InBev, estavam executivos da General Motors, Walmart e AES Corporation.

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A boa notícia, no entanto, veio de uma nota do Ministério da Agricultura sobre a liberação pelos Estados Unidos da importação de carne in natura de 13 Estados do Brasil, além do Distrito Federal. A medida favorece 95% da agroindústria exportadora brasileira.  A resolução, que entrará em vigor dentro de 60 dias, diz que a carne in natura pode ser importada de maneira "segura".

"Temos que persistir obstinadamente em praticar uma defesa agropecuária de forma permanente. Vamos trabalhar para que o Brasil se situe entre os cinco países do mundo como referência agropecuária. A presidente Dilma Rousseff tem dado todo o apoio à defesa agropecuária e colocou seu peso político nas negociações com os Estados Unidos para alcançarmos essa posição", afirmou a ministra Kátia Abreu na nota.

De acordo com o ministério, os Estados que podem se habilitar a exportar carne bovina in natura para os Estados Unidos são Tocantins, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo e Sergipe, além do Distrito Federal. 

Ainda segundo o ministério, as 14 unidades da Federação estão livres de febre aftosa com vacinação. A expectativa da ministra Kátia Abreu é de que em cinco anos o Brasil esteja exportando 100 mil toneladas de carne bovina para os Estados Unidos. Nos últimos 15 anos, os norte-americanos vinham negociando a compra de carne bovina in natura do Brasil.

A abertura do mercado ao produto brasileiro é uma sinalização importante para o setor agropecuário brasileiro, disse o ministério em nota. Na interpretação de Kátia Abreu, essa decisão do governo Barack Obama é como "ter uma senha" para o acesso a outros mercados. Ao longo do próximo semestre ela quer abrir novos mercados para a carne brasileira.

O ministério informou ainda que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) deve publicar nesta terça-feira (30/6) comunicado oficial no qual reconhece o status sanitário do rebanho bovino brasileiro, o Final Rule, necessário para a importação de carne in natura do Brasil. Segundo a pasta, o USDA anunciou a medida nesta segunda em seu site.

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A decisão deverá impulsionar as vendas internacionais do produto, já que a aprovação das autoridades fitossanitárias dos EUA é vista como uma espécie de "selo de qualidade" na Ásia e na Europa. 

Os embarques estavam bloqueados em razão de surtos de febre aftosa ocorridos no passado. A negociação para a abertura do mercado durou anos e ganhou impulso na preparação da visita de Dilma, que simboliza a retomada das relações entre os dois países depois da crise gerada pela revelação de que a agência de espionagem americana, a NSA, monitorou comunicações da presidente.

No domingo, Wesley Batista, presidente da JBS, havia dito em reunião com a presidente que o impacto da liberação seria espetacular, já que os Estados Unidos são um dos maiores importadores de carne do mundo. 

ACORDO ADUANEIRO

A Receita Federal e o governo dos Estados Unidos assinaram nesta segunda-feira (29/6) um cronograma para o estabelecimento de acordo aduaneiro entre os dois países, o que será feito até junho de 2016. 

O objetivo é elaborar um acordo de reconhecimento mútuo do programa de Operador Econômico Autorizado (OEA), pelo qual empresas certificadas nos dois países terão o fluxo de comércio facilitado.

"Esse programa está alinhado com a visita da presidente Dilma Rousseff aos EUA e é um passo muito forte e importante para as relações comerciais entre os dois países", afirmou Jorge Rachid, secretário da Receita Federal.

Atualmente, cinco empresas brasileiras têm certificado da OEA. Na prática, isso significa que as importações e exportações dessas companhias não precisam passar por processos aduaneiros como inspeções de carga e conferência de documentação, o que torna as vendas e compras do exterior mais rápidas.

Quando o acordo for assinado no ano que vem, as empresas certificadas no Brasil terão o mesmo tratamento na aduana norte-americana, e vice-versa.

São certificadas no país a Embraer, 3M, Aeroporto de Viracopos, CNH América Latina e DHL. Segundo a Receita, pleitos de outras 15 empresas estão em análise. Pelo lado norte-americano, cerca de 1.100 empresas são certificadas e terão acesso ao benefício.

"A meta é que metade das empresas brasileiras sejam operadores autorizados. Estamos promovendo o programa, temos que buscar essas empresas", completa Ernani Checcucci Filho, secretário de Aduana e Relações Internacionais da Receita.

Para ganhar o selo de "baixo risco" da Receita Federal, a empresa tem de atender a uma série de requisitos, como controle de acesso às cargas e regras de recrutamento de pessoal. Atualmente, os Estados Unidos têm acordos semelhantes com dez países, como Canadá, México e Nova Zelândia.

Foto: Thinkstock



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