São Paulo, 03 de Dezembro de 2016

/ Economia

Economista mostra copo meio cheio para plateia de franqueados
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Luís Fernando Lopes diz que a crise poderia ser ainda mais grave sem a força de um mercado ainda capaz de atrair investidores que miram negócios no médio e longo prazo

É preciso separar o ruído dos acontecimentos, e buscar os destinos mais atraentes para investir para quem pensa no médio e longo prazo –caso do Brasil, o maior receptor mundial de investimento líquido direto, em oposição à China e Estados Unidos, exportadores de recursos.

A recomendação é de Luís Fernando Lopes, economista-chefe do banco Pátria Investimentos, em uma palestra que procurou levar uma dose de otimismo aos empresários presentes à segunda edição do Congresso Internacional da Associação Brasileira de Franchising (ABF), que acontece em São Paulo.

Apesar do crescimento global tímido, na casa dos 3% desde 2011, a economia mundial está em recuperação. Segundo Lopes, nas economias avançadas, o crescimento segue na casa dos 2% ao ano, sendo que a recuperação mais forte ocorre na economia americana

No caso das emergentes, a alta fica na casa dos 4%, 5%, com destaque para a Ásia, e claro, para a China. “O preço das commodities é uma resposta a esse crescimento modesto e à maior oferta”, diz.

Mas, se a euforia com os BRICs é coisa do passado, agora os fluxos globais de capital de longo prazo têm aportado em locais como o Brasil.

Somente em 2013, o país recebeu algo em torno de US$ 65 bilhões de investimentos líquidos diretos - inclusive de empresários e investidores brasileiros com negócios no exterior que repatriaram recursos no período.

“É uma espécie de voto de confiança, já que o país mostrou capacidade de resolver problemas no passado, está tomando medidas para ultrapassar essa fase (negativa) e tem feito a diferença entre os países emergentes. Por isso faz sentido investir aqui no médio e longo prazo”, afirma.

O economista justifica o país ser hoje o sexto maior mercado global como resultado do que chamou de “tendências seculares de crescimento econômico”, como a queda na desigualdade social - atípica em países emergentes-, com a ascensão das classes sociais puxada pela evolução do mercado de trabalho.

Apesar das políticas inadequadas em busca de crescimento aplicadas em anos anteriores, tudo isso ajudou a não levar a crise a um patamar ainda mais grave.

Outros fatores positivos mencionados por Lopes foram o PIB de R$ 52,3 trilhões em 2014, que representa 40% da América Latina, a taxa de urbanização de 85% e a população ativa com idade média de 29 anos.

O economista citou ainda, a favor do Brasil, a democracia estável e funcional, a renda média elevada para o padrão emergente e a economia de mercado consolidada.

Isso inclui a abertura de novas fronteiras econômicas regionais, a quinta colocação no mercado automobilístico mundial, a quarta em eletrodomésticos e a terceira no setor de produtos de higiene e beleza.

“Para quem tem menor aversão ao risco e recursos disponíveis, o melhor momento para crescer e consolidar um negócio é agora, quando o preço dos ativos estão deprimidos”, afirma.

TRIÊNIO IMPORTANTE

A pressão por mudanças e troca de rumo na política econômica foi citada por Lopes como determinante para a retomada –que não implica um cenário de impeachment, conforme o clamor das ruas. “Isso deflagraria uma crise institucional grave. Poderia ser um resultado final, mas não uma solução”.

Para justificar, ele lembra que a média de crescimento chegou a 5,3% entre 2003 e 2008, período de reformas sociais e inclusão pelo consumo.

Porém, na crise pós-2008 as medidas emergenciais geraram como resultado forte queda da poupança, dos investimentos, e claro, do crescimento econômico. “Houve uma expansão exagerada do gasto público, desonerações e o estímulo ao crédito por meio dos bancos oficiais.”

A seu ver, o desempenho poderia ter sido ainda pior, não fosse a pressão por mudanças e a consequente política econômica quase oposta à anteriorconduzida pelo ministro Joaquim Levy.

Todo esse ruído, segundo ele, vem produzindo uma correção de rota, sem recaída para políticas populistas. Assim que começar a funcionar, o ambiente econômico e político deve melhorar.

A renda hoje maior e mais estável, a diminuição da desigualdade colaboraram e, mesmo com toda a deterioração, crescimento zero e queda no índice de emprego em 2014, não houve grandes desastres no mercado de trabalho: só caiu a confiança do consumidor.

Mas 2014 a 2016 representam um triênio importante: segundo Lopes, o Banco Central não deve subir juros tão cedo, mas a queda da Selic poderia influenciar a inflação futura.

A retomada deverá ser mais gradual por gargalos em infraestrutura, como a geração de energia, mas a indústria e outros setores ligados à evolução da renda tendem a se recuperar mais rápido.

“Porém, o maior risco macroeconômico desse período é fazer o ajuste incompleto e manter o crescimento medíocre após 2016, na faixa de 1% ao ano, em vez de um potencial 3% ou 3,5% ao ano”, disse Lopes.

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*FOTO: MARCEL UYETA



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