São Paulo, 27 de Setembro de 2016

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Economia brasileira só vai melhorar em 2016, dizem analistas
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Relatório de bancos internacionais prevê queda de 1% do PIB em 2015 e considera o atual ajuste essencial para a recuperação

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve encolher 1% em 2015, prevê o Instituto Internacional de Finanças (IIF, na sigla em inglês), formado pelos maiores bancos do mundo, em um relatório divulgado nesta sexta-feira, 13. "O ajuste na economia este ano não será fácil", afirmam os economistas do IIF no documento.

Para 2016, o instituto prevê recuperação da atividade, com expansão de 1,1% no PIB brasileiro. Apesar das dificuldades em conduzir o ajuste econômico, o IIF avalia que ele é essencial para garantir uma recuperação mais sustentável da economia no futuro.

A piora das projeções para o Brasil em 2015 reflete o ajuste fiscal que vem sendo feito pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que inclui corte de gastos e alta de impostos, e a elevação dos juros pelo Banco Central para conter a inflação, destaca o documento do IIF.

ECONOMIA ESTAGNADA 

O ajuste vem como resposta ao desempenho da economia brasileira em 2014. De acordo com o Indicador Serasa Experian de Atividade Econômica (PIB Mensal), a economia nacional ficou estagnada em 2014 e atingiu o pior nível em cinco anos. No último mês do ano passado, com ajuste sazonal, houve queda de 0,2% na atividade - taxa que foi a mesma registrada em novembro. Do lado da oferta, a indústria foi a que mais contribuiu para o desempenho desfavorável da economia em 2014. 

Já do ponto de vista da demanda, houve forte declínio dos investimentos, que caíram 8,3% em 2014 ante 2013. Com impacto semelhante, a perda de fôlego do consumo das famílias fechou no menor patamar em 11 anos. "Por fim, o consumo do governo registrou elevação de 1,5% no ano passado", concluem os economistas da instituição.

De acordo com a Serasa, a indústria foi o grande destaque negativo da atividade econômica em 2014, ao apresentar contração de 1,9%. Já o setor de serviços e agropecuário registrou crescimento. A agropecuária cresceu o dobro de serviços, com expansão de 1,6%, influenciada pela safra recorde de grãos produzida no ano passado. 

O aperto monetário, a alta do dólar, aceleração da inflação e a queda dos índices de confiança dos consumidores e empresários em relação à economia pesaram de forma negativa sobre o Produto Interno Bruto (PIB) em 2014, conforme os economistas da instituição. "Sem contar a perda de dinamismo acarretada pela realização da Copa do Mundo no meio do ano", afirmam.

RACIONAMENTO PIORA O QUADRO  

Para o IFF, a atividade econômica pode ser ainda mais prejudicada com os riscos de um eventual racionamento de energia elétrica e de água, por causa da forte seca no Brasil. O racionamento poderia reduzir o crescimento brasileiro em 0,5 ponto porcentual.

O IIF espera que o Banco Central continue elevando os juros nas próximas reuniões de política monetária para conter a inflação e projeta uma elevação da Selic de até 13% em 2015. Para o câmbio, a aposta é de um real ainda mais fraco ante o dólar. A instituição prevê uma provável redução gradual do programa de swap cambial do BC como razão para o desempenho do dólar.

Os economistas do IIF destacam ainda no documento a piora da confiança dos brasileiros e citam a queda da popularidade da presidente Dilma Rousseff, em meio ao escândalo gerado pelas denúncias de corrupção na Petrobras e medidas mais duras na economia.

"Um ajuste macroeconômico muito atrasado está em andamento depois de anos de políticas expansionistas", afirma o IIF. "A correção em curso na política econômica é essencial para preparar o terreno para uma recuperação sustentável", conclui o relatório.



A avaliação é do Fundo Monetário Internacional (FMI), que defende um ajuste equilibrado, que não seja tão forte a ponto de impedir a recuperação da economia

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