São Paulo, 07 de Dezembro de 2016

/ Economia

Dólar nas alturas piora a expectativa de inflação no Brasil
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A alta da moeda americana é mais um fator preocupante. A inflação já está bastante pressionada devido à recomposição de preços administrados como energia elétrica, combustíveis e tarifas do transporte público

A mudança no patamar do câmbio está provocando um reequilíbrio da economia brasileira. A forte desvalorização do real em relação ao dólar, acumulada em 22,79% neste ano, e a deterioração do cenário econômico têm levado a uma piora nas expectativas para inflação e juros.

A alta da moeda americana deve se tornar mais um fator de pressão para os preços. A inflação está bastante pressionada por causa da recomposição dos preços administrados (energia elétrica, combustíveis e tarifas do transporte público). Na sexta-feira,13, Bradesco e Itaú deram o tom de mais uma rodada de piora de humor com os indicadores da economia brasileira.

O Bradesco passou a projetar um câmbio para o fim de 2015 num intervalo entre R$ 2,90 e R$ 3,10 ante os R$ 2,75 previstos inicialmente. A projeção para a inflação aumentou de 7,5% para 8%. Já o Itaú estima que a taxa de câmbio deve encerrar o ano em R$ 3,10, e o IPCA vai subir 8%, acima da previsão anterior, de 7,4%.

Nesse cenário de piora das expectativas inflacionárias, o BC pode ser obrigado a promover um aperto monetário mais duro para manter a inflação no dentro do teto da meta, que é de 6,5% ao ano. Uma escalada mais forte de juros deve prejudicar ainda mais a atividade econômica.

"Nós estimamos mais duas altas nos juros de 50 pontos base, mas isso não garantirá que a inflação alcance 4,5% (centro da meta) nem em 2016 nem em 2017", afirma Nilson Teixeira, economista-chefe do Credit Suisse. Com a desvalorização do real, Teixeira não descarta que a inflação fique próxima de 9% em 2015.

Por ora, é difícil prever qual o tamanho desse ciclo de desvalorização do real, mas o que se sabe é que o novo patamar do câmbio veio para ficar. Há um movimento internacional de expectativa pelo aumento dos juros nos Estados Unidos que tem provocado a desvalorização de várias moedas em relação ao dólar. Quando o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevar a taxa de juros, essa tendência deverá ser reforçada.

Internamente, as desconfianças com a economia brasileira também colaboram para a desvalorização do real. Em 2015, o Brasil enfrenta um forte ajuste fiscal. A piora das contas públicas colocou o País de entrar no radar das agências de classificação de risco e tornaram real o risco de perda de grau de investimento.

"Há um problema de risco político alto e ele está crescendo. Além disso, existe uma visão entre os analistas de que está se tornando muito forte o risco de o Brasil perder o grau de investimento", diz José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio e economista da Opus Gestão de Recursos.

"A situação da Petrobrás é muito grave, e é difícil acreditar que o governo não vai socorrê-la se a situação piorar. Se o governo precisar socorrer a Petrobrás, a probabilidade de o País perder o grau de investimento é muito alta", afirma. A previsão da Opus é que a inflação encerre o ano em 8,5%.

A equipe econômica também sinalizou que deverá reduzir a intervenção no câmbio, o que reforça a expectativa pela desvalorização do real. Desde o início do ano, o Banco Central diminuiu o programa de "ração diária" - oferta feita por meio de leilões de swap cambial, instrumentos que equivalem à venda futura de dólar.

BALANÇA

Embora complique o cenário para os preços, a alta do dólar pode começar a trazer um alento para o setor externo da economia brasileira - os dados do Banco Central mostram que a economia brasileira tem um déficit em transações correntes de 4,17% do Produto Interno Bruto (PIB), um número considerado elevado e que indica um alta necessidade de financiamento externo. "Com um câmbio mais apreciado, as empresas tendem a importar mais, o que acelera o déficit em conta corrente", afirma Bruno Lavieri, economista da Tendências Consultoria Integrada.



Em relação ao Regime Próprio de Previdência, que paga as aposentadorias dos servidores públicos, excedente será de cerca de R$ 60 bilhões em 10 anos

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Porém, no acumulado do ano, o valor supera o registrado em 2015. A informação é do Dieese, que diz que o salário mínimo necessário para suprir as necessidades das famílias seria R$ 3.940

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Com o resultado, o índice medido pela FGV acumulou alta de 6,02% no ano e avanço de 7,05% em 12 meses

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