São Paulo, 09 de Dezembro de 2016

/ Economia

Desemprego em SP vai a 12,9% em maio, apura Seade/Dieese
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Essa é a quarta alta consecutiva do indicador. Resultado é maior do que em igual mês de 2014

A taxa de desemprego na Região Metropolitana de São Paulo subiu para 12,9% em maio ante 12,4% em abril, mostra Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) da Fundação Seade e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgada nesta quarta-feira (24). 

A taxa também ficou acima do resultado de maio de 2014, que foi de 11,4%. Essa é a quarta alta consecutiva do indicador, informa o relatório, e um “comportamento não usual para o período na região” na passagem de abril para maio.

No caso do comércio por exemplo, isso se explica pelo movimento menor no Dia das Mães, que é a segunda maior data do setor em vendas, afirma Marcel Solimeo, economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).  

“Mas de modo geral, há dois problemas: um é que o nível de desemprego já está alto, e dois é o crescimento desse nível pela quartavez consecutiva. E nada indica que essa tendência vai se reverter no curto prazo, embora possa ter alguma flutuação por conta de sazonalidade”, diz. 

No mês passado, o total de desempregados foi estimado em 1,435 milhão de pessoas, 68 mil a mais do que em abril. Esse resultado decorre do crescimento de 0,9% da População Economicamente Ativa (PEA), após 95 mil pessoas entrarem na força de trabalho na região, e do acréscimo "insuficiente" de 0,3% do nível de ocupação. Com isso, foram criados 27 mil postos de trabalho, levando o total de ocupados para 9,686 milhões.

Sob a ótica setorial, a alta é resultado de elevações nos setores da construção, com 5,9%, ou 41 mil postos de trabalho criados, e de 0,5% nos Serviços, com a geração de 26 mil postos.  

Por outro lado, houve queda de 1,6% no nível de ocupação da indústria de transformação, com eliminação de 25 mil vagas em maio, com retração de 0,3% na ocupação no comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas, representando um corte total de 5 mil trabalhadores.

Aqui, segundo Solimeo, é outro reflexo de forte retração: quando um setor como serviços, que até agora era o que vinha se expandindo mais fortemente, começa a ter nível de emprego desacelerando, é sinal que o desemprego vai aumentar mais. 

A indústria já estava demitindo, as grandes redes do varejo também. Agora, isso acontece com mais intensidade nas empresas menores, que têm menor poder de resistência, diz. “É uma situação ruim, mas predizível.” 

E não há a tal luz no fim do túnel, por enquanto: o economista da ACSP lembra que o governo nem concluiu o processo de ajuste, ainda muito precário, e o Banco Central mostra que sua política de juros “passou do ponto”. E tudo indica que vá continuar.

“Ou seja, nada sinaliza uma possível melhora, pelo menos no curto prazo. 

RENDA MÉDIA

O rendimento médio real dos ocupados na região cresceu 0,6% em abril ante março, e ficou em R$ 1.916,00. Com isso, a renda média real dos assalariados avançou 0,3% no período, para R$ 1.930,00.

De acordo com o Seade e o Dieese, o avanço da renda real de ocupados resulta do aumento do rendimento médio – fato que compensou a ligeira variação negativa do nível de emprego. 

Quanto ao caso dos assalariados, o acréscimo na renda média real se deve à elevação do salário médio e à redução do nível de emprego, na mesma intensidade. Na passagem de março para abril, a massa de rendimentos dos empregados avançou 0,5%, enquanto a dos assalariados se manteve estável.

Na comparação com abril de 2014, houve queda dos rendimentos médios reais dos ocupados e dos assalariados, de 8,8% e 7,2%, respectivamente. Com isso, as massas de rendimentos de ambos também recuaram: 9,3% e 7,1%, nesta ordem. Segundo o Seade e o Dieese, nos dois casos, as quedas são resultado sobretudo de reduções dos rendimentos médios reais. 

Foto: Itaci Batista/Estadão Conteúdo 
(Com informações do Estadão Conteúdo) 



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