São Paulo, 28 de Setembro de 2016

/ Economia

Desemprego cresce e atinge 7,9% no primeiro trimestre
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Mas a tendência nos próximos meses, segundo a FGV, é de que a taxa de desemprego suba lentamente, enquanto a renda reagirá velozmente, passando da desaceleração da alta para queda

A taxa nacional de desemprego atingiu 7,9% no primeiro trimestre e é a maior desde o mesmo período de 2013 (8%), de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta quinta-feira, 7, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O percentual equivale a 7,934 milhões de pessoas.

Os números fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que substitui a tradicional Pnad anual e a Pesquisa Mensal de Emprego (PME).

De acordo com o IBGE, a população desocupada cresceu 23% em relação ao trimestre anterior e 12,6% em relação aos três primeiros meses de 2014.

Em sete Unidades da Federação e duas grandes regiões, porém, a taxa observada nos primeiros três meses deste ano foi a maior de toda a série, iniciada em 2012.

Um desses Estados é São Paulo, onde a taxa de desemprego ficou em 8,5% no primeiro trimestre de 2015. Outros recordes no período foram observados em Roraima (8,9%), Pará (9,2%), Minas Gerais (8,2%), Rio Grande do Sul (5,6%), Goiás (7,0%) e Distrito Federal (10,8%).

Entre as grandes regiões, os recordes históricos foram verificados no Sudeste (8,0%) e no Centro-Oeste (7,3%). Na contramão, Sergipe registrou taxa de desemprego de 8,6% no primeiro trimestre de 2015 - a menor da série.

RENDA

No primeiro trimestre, o rendimento médio real de todos os trabalhadores ocupados foi estimado em R$ 1.840, um número estável em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação com o trimestre anterior, o rendimento cresceu 0,8%.

Os menores rendimentos foram registrados no Maranhão (R$ 946), Piauí (R$ 1.122) e Ceará (R$ 1.137), e os maiores no Distrito Federal (R$ 3.046), em São Paulo (R$ 2.401) e em Roraima (R$ 2.146).

TENDÊNCIA

Os indicadores antecedentes do mercado de trabalho, divulgados nesta quinta-feira, 7, pela Fundação Getulio Vargas (FGV), sugerem que as condições seguirão piorando, mas com uma diferença de composição: a tendência é a taxa de desemprego subir lentamente ao longo dos próximos meses, enquanto a renda reagirá mais rapidamente, passando de desaceleração da alta para queda. A avaliação é de Rodrigo Leandro de Moura, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV).

"O mercado de trabalho sempre é um reflexo posterior da atividade econômica", diz Moura, referindo-se à retração da economia, esperada para este ano. Mais cedo, a FGV informou que o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) avançou 2,9% em abril na comparação com o mês anterior, para 85,8 pontos, na série com ajuste sazonal. É o maior nível desde julho de 2009 (86,3 pontos).

Segundo Moura, o aumento da taxa de desemprego poderia ser bem maior, como ocorreu nos anos de crise dos anos 1990, mas o processo de formalização da mão de obra, assim como o avanço da escolaridade entre os trabalhadores, torna o ajuste mais gradual. Isso porque o corte de postos de trabalho informal é mais barato e rápido para as empresas.

No quadro de maior formalização, as empresas acabam ajustando por meio dos salários. Elas ficam mais comedidas nas demissões, mas param novas contratações. E, quando o fazem, contratam apenas para cargos de menor salário. Daí o efeito de redução no crescimento e, com o passar dos meses, queda no rendimento médio, segundo Moura. "O ajuste na renda tende a se intensificar ao longo do ano", completa o pesquisador.



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