Economia

Depois de meses de alta, confiança do consumidor volta a cair


Todo os componentes recuaram. A expectativas em relação a inflação tiveram a maior queda, ficando 6,9% menor em março em relação a fevereiro


  Por Estadão Conteúdo 04 de Abril de 2017 às 12:52

  | Agência de notícias do Grupo Estado


A recuperação do otimismo do consumidor brasileiro registrada no início do ano - em janeiro e em fevereiro - não se repetiu em março. Ao contrário, a confiança caiu.

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) do mês passado ficou em 102 pontos, um recuo de 2,3% em relação a fevereiro. Se comparado com março de 2016, no entanto, o índice mostra alta de 4,5%. Mesmo assim, está 6,1% abaixo de sua média histórica.

A pesquisa, elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Ibope, mostra as expectativas do consumidor para os próximos seis meses em relação a inflação, desemprego, renda pessoal e intenção de realizar compras de maior valor, além de trazer percepções sobre situação financeira e endividamento.

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De todos esses componentes, somente o índice de endividamento registrou melhora na comparação com o mês anterior, com uma alta bem pequena de 0,4%, indicando haver consumidores com menos dívidas.

Todos os outros componentes recuaram, revelando queda na confiança. O de inflação, por exemplo, teve a maior queda, ficando 6,9% menor em março em relação a fevereiro. "Este recuo indica maior preocupação do consumidor com a inflação", cita o estudo.

Segundo o economista da CNI Marcelo Azevedo, o Inec está oscilando muito nos últimos meses em patamar muito baixo. Isso, explica o economista, "sinaliza muita preocupação do consumidor com a economia e com sua situação financeira, o que prejudica a retomada de um consumo mais forte capaz de impulsionar a atividade econômica".

Quanto ao desemprego, o índice teve redução de 3% frente a fevereiro. O indicador sobre a renda pessoal recuou 2,9% e o de expectativas sobre compras de bens de maior valor diminuiu 1% em março em relação ao mês anterior.

O levantamento mostra ainda que, com exceção do índice de compras de bens de maior valor, os demais seguem consideravelmente abaixo de suas respectivas médias históricas. Nesse caso, o destaque é para o índice de situação financeira, que teve queda de 2,1% na comparação com fevereiro e está 13,9% abaixo da média histórica.

Esta edição do Inec ouviu 2 mil pessoas em 126 municípios entre os dias 16 e 19 de março.

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