São Paulo, 25 de Julho de 2017

/ Economia

Crescimento do emprego depende da confiança na reforma da Previdência
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Segundo o economista Hélio Zylberstajn, da Fipe, o emprego será o último a se recuperar. A boa notícia é que os reajustes salariais estão acima da inflação

A melhora no mercado de trabalho depende da retomada do crescimento, de acordo com o economista Hélio Zylberstajn, professor da Faculdade de Economia e Administração (FEZ/USP) e pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). 
 
“Por sua vez, o crescimento depende da retomada da confiança e do consumo. E tudo isso depende da aprovação das reformas.” Para o economista, o mercado e o consumidor estão atentos ao governo, “que não tem conseguido convencer as pessoas de que é capaz de cuidar da parte fiscal”. 

O primeiro passo seria conseguir aprovar a reforma da Previdência, que, no entanto, está na dependência do Congresso. “A aprovação da reforma da Previdência seria um começo de algum equilíbrio fiscal”, analisa Zylberstajn. A confiança retoma quando houver mais certeza sobre a melhora na questão fiscal.

QUEDA DA INFLAÇÃO FAVORECE AUMENTOS

Apesar da diminuição no ritmo do fechamento de vagas visto em fevereiro, o economista Hélio Zylberstajn ainda não vê sinais positivos para o emprego. "O resultado de março não deixa de ser uma má notícia porque ainda não estamos crescendo. Precisamos desesperadamente criar empregos", afirma.

Por outro lado, mesmo com os resultados ruins do mercado de trabalho, no mês passado os reajustes salariais negociados ficaram acima da inflação. Os dados fazem parte do projeto Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que acompanha mensalmente o mercado de trabalho e as negociações coletivas.
 
Das 157 negociações fechadas em março, a média dos aumentos salariais foi de 6,5%. O reajuste obtido ficou em 1,8% acima da inflação acumulada em 12 meses até fevereiro, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), de 4,7%.

Os números mostram que março foi o terceiro mês seguido em que houve ganhos reais nas negociações. Coordenador do projeto, Zylberstajn explica que o ganho real nas negociações salariais foi obtido porque a inflação está em patamares muito baixos. 

"A mesa de negociações tem um ímã poderoso que é a taxa de inflação", diz. Muitos trabalhadores repuseram a inflação, alguns ganharam acima da alta de preço." O economista, no entanto, pondera que nem todos vão conseguir aproveitar esse ganho real porque o desemprego ainda é muito elevado e as condições do mercado desfavoráveis ao trabalhador. 

"Hoje temos uma taxa de desemprego de 13%, muito grande, mas a inflação baixou", afirma. Como a inflação está caindo, fica mais fácil para os trabalhadores obterem a reposição com ganho real, argumenta.

A perspectiva é que a inflação até setembro continue em queda e dando espaço para a continuidade dos aumentos reais de salários, apesar da recessão. No entanto, Zylberstajn ressalta que esse ganho não significa uma melhora no mercado de trabalho.

RECUPERAÇÃO TARDIA

O resultado negativo do mercado formal de trabalho, que eliminou 63.624 vagas em março, depois do saldo positivo de fevereiro, não surpreendeu Zylberstajn. Para ele, ocorreram pequenas variações que sinalizam uma certa estabilidade, mas ele ainda não vê sinais positivos.

“Temos de lembrar que o universo do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) são os empregados formais. A quantidade de trabalhadores é mais ou menos 38 milhões. Uma variação de 60 mil deve ser entendida mais como estabilidade.”

Para o economista, “vai demorar ainda para o cenário se reverter. A última coisa a ser retomada será o emprego”. 



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