São Paulo, 25 de Fevereiro de 2017

/ Economia

Crédito caro e queda de renda afastou famílias do consumo em 2014
Imprimir

No ano de pior desempenho do varejo desde 2003, segundo o IBGE, poucos segmentos tiveram resultado positivo

A alta nas taxas de juros, a desaceleração no ritmo de concessões de crédito e o crescimento menor da renda afetaram o consumo das famílias em 2014 e explicam o aumento de apenas 2,2% nas vendas do varejo no ano, o pior desempenho desde 2003. Os dados foram apresentados por Juliana Vasconcellos, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"O ano de 2014 foi nitidamente de desaceleração no consumo”, constatou Juliana. De acordo com a pesquisadora, “algumas atividades são mais afetadas, outras menos. Isto acontece com o setor de farmácias, porque vende produtos essenciais e está com preços gerais abaixo da inflação. Por outro lado, no segmento de livros, os preços estão acima da inflação e sofrem concorrência com os equipamentos eletrônicos, cujos preços vêm caindo.

O crescimento de 9,0% no ano da atividade classificada como Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, deu a segunda maior contribuição à taxa anual do varejo. O resultado foi impulsionado pelos preços de medicamentos, bens de uso essencial que têm aumentado abaixo da inflação oficial no País.

A segunda maior contribuição veio do segmento de Outros artigos de uso pessoal e doméstico com alta de 7,9% no volume de vendas em relação ao ano anterior. Integrado por lojas de departamento, ótica, joalheria, artigos esportivos, brinquedos etc., o segmento deve seu bom desempenho, segundo o IBGE, à diversidade de itens comercializados, que favorece as vendas no período natalino.

A atividade de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com elevação de 1,3% nas vendas em 2014, teve a terceira maior contribuição para o varejo, mas o crescimento do segmento ficou abaixo do registrado em 2013, quando a taxa foi de 1,9%. Além do crescimento menor da massa salarial dos trabalhadores no período, a atividade foi prejudicada ainda pelos aumentos de preços da alimentação no domicílio que, segundo o IPCA, subiram 7,1% em 2014, contra alta de 6,4% do índice geral.

DESACELERAÇÃO

Segundo a Pesquisa Mensal de Emprego, também apurada pelo IBGE, a massa salarial dos ocupados cresceu 1,4% em 2014, ante alta de 2,4% em 2013. As concessões de crédito para pessoa física cresceram 7,8% em 2013, e apenas 4,7% em 2014. Já a taxa média de juros do crédito com recursos livres para pessoa física que era de 29,9% ao ano em 2013 passou a 32,4% em 2014, lembrou Juliana.

A gerente do IBGE ressaltou ainda que 2014 foi um ano atípico, com realização da Copa do Mundo e eleições, que podem ter tido alguma influência sobre a decisão de consumo. "A população fica com uma incerteza maior", disse ela.



Abilio Diniz, presidente do conselho de administração da indústria de alimentos, constituiu um comitê para corrigir erros da companhia

comentários

Neste ano, salários dos funcionários terão reajuste equivalente a 70% da inflação e abono de R$ 3 mil. Fábrica será modernizada

comentários

O deputado Arthur Oliveira Maia diz que as desonerações são "aberração, escárnio e pouca vergonha"

comentários