São Paulo, 25 de Setembro de 2016

/ Economia

Crédito caro e queda de renda afastou famílias do consumo em 2014
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No ano de pior desempenho do varejo desde 2003, segundo o IBGE, poucos segmentos tiveram resultado positivo

A alta nas taxas de juros, a desaceleração no ritmo de concessões de crédito e o crescimento menor da renda afetaram o consumo das famílias em 2014 e explicam o aumento de apenas 2,2% nas vendas do varejo no ano, o pior desempenho desde 2003. Os dados foram apresentados por Juliana Vasconcellos, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"O ano de 2014 foi nitidamente de desaceleração no consumo”, constatou Juliana. De acordo com a pesquisadora, “algumas atividades são mais afetadas, outras menos. Isto acontece com o setor de farmácias, porque vende produtos essenciais e está com preços gerais abaixo da inflação. Por outro lado, no segmento de livros, os preços estão acima da inflação e sofrem concorrência com os equipamentos eletrônicos, cujos preços vêm caindo.

O crescimento de 9,0% no ano da atividade classificada como Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, deu a segunda maior contribuição à taxa anual do varejo. O resultado foi impulsionado pelos preços de medicamentos, bens de uso essencial que têm aumentado abaixo da inflação oficial no País.

A segunda maior contribuição veio do segmento de Outros artigos de uso pessoal e doméstico com alta de 7,9% no volume de vendas em relação ao ano anterior. Integrado por lojas de departamento, ótica, joalheria, artigos esportivos, brinquedos etc., o segmento deve seu bom desempenho, segundo o IBGE, à diversidade de itens comercializados, que favorece as vendas no período natalino.

A atividade de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com elevação de 1,3% nas vendas em 2014, teve a terceira maior contribuição para o varejo, mas o crescimento do segmento ficou abaixo do registrado em 2013, quando a taxa foi de 1,9%. Além do crescimento menor da massa salarial dos trabalhadores no período, a atividade foi prejudicada ainda pelos aumentos de preços da alimentação no domicílio que, segundo o IPCA, subiram 7,1% em 2014, contra alta de 6,4% do índice geral.

DESACELERAÇÃO

Segundo a Pesquisa Mensal de Emprego, também apurada pelo IBGE, a massa salarial dos ocupados cresceu 1,4% em 2014, ante alta de 2,4% em 2013. As concessões de crédito para pessoa física cresceram 7,8% em 2013, e apenas 4,7% em 2014. Já a taxa média de juros do crédito com recursos livres para pessoa física que era de 29,9% ao ano em 2013 passou a 32,4% em 2014, lembrou Juliana.

A gerente do IBGE ressaltou ainda que 2014 foi um ano atípico, com realização da Copa do Mundo e eleições, que podem ter tido alguma influência sobre a decisão de consumo. "A população fica com uma incerteza maior", disse ela.



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