Economia

Copom reduz a taxa Selic para 8,25% ao ano


Esta foi a oitava vez seguida que o Banco Central baixou os juros básicos da economia. Decisão é plenamente justificável, segundo Alencar Burti, presidente da ACSP e da Facesp


  Por Agência Brasil 06 de Setembro de 2017 às 18:01

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa básica de juros (Selic) em um ponto percentual, para 8,25% ao ano.

O comitê informou em nota que a decisão foi baseada em um conjunto dos indicadores de atividade econômica, que mostram sinais compatíveis com a recuperação gradual da economia brasileira.

O presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Alencar Burti, concorda com a decisão do Banco Central de cortar a Selic em um ponto percentual, esperando ainda que novos cortes ocorram nos próximos meses.

“É uma decisão alinhada com o que o mercado esperava e que se justifica plenamente, considerando que a inflação em 12 meses está abaixo inclusive do limite inferior da meta. Espera-se, contudo, que haja continuidade nos cortes nas duas próximas reuniões do Comitê neste ano”, diz Burti.

Ainda na avaliação dele, a inflação, em decorrência do baixo consumo, deverá continuar baixa nos próximos meses, embora não necessariamente fique abaixo do que já chegou.

Esta foi a oitava vez seguida que o Banco Central baixou os juros básicos da economia. Com a redução de hoje, a Selic chega ao menor nível desde outubro de 2013, quando estava em 9% ao ano.

De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano, no menor nível da história, e passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015. Somente em outubro do ano passado, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA ficou em 0,19% em agosto, no menor nível para o mês desde 2010.

Nos 12 meses terminados em agosto, o IPCA acumula 2,46%, a menor taxa em 12 meses desde fevereiro de 1999.

Até o ano passado, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecia meta de inflação de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%. Para este ano, o CMN reduziu a margem de tolerância para 1,5 ponto percentual. A inflação, portanto, não poderá superar 6% neste ano nem ficar abaixo de 3%.

INFLAÇÃO

No Relatório de Inflação, divulgado no fim de junho pelo Banco Central, a autoridade monetária estima que o IPCA encerrará 2017 em 3,8%.

De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 3,38%, mesmo com os aumentos recentes nos preços dos combustíveis.

Até agosto do ano passado, o impacto de preços administrados, como a elevação de tarifas públicas; e o de alimentos como feijão e leite contribuiu para a manutenção dos índices de preços em níveis altos.

De lá para cá, no entanto, a inflação começou a cair por causa da recessão econômica e da queda do dólar.

CRÉDITO MAIS BARATO

A redução da taxa Selic estimula a economia porque juros menores barateiam o crédito e estimulam a produção e o consumo em um cenário de baixa atividade econômica. Segundo o boletim Focus, os analistas econômicos projetam crescimento de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) em 2017.

A estimativa está em linha com o último Relatório de Inflação, divulgado em junho, no qual o BC também projetava expansão da economia de 0,5% este ano.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia.

Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação.

CNI

Para a CNI, a decisão do Banco Central de reduzir os juros básicos da economia ajudará a recuperar a produção e o consumo, porém a manutenção dos juros baixos por muito tempo depende da aprovação de reformas como a da Previdência Social.

“A redução dos juros é essencial para a recuperação das condições financeiras, tanto das empresas quanto dos consumidores, e para impulsionar a retomada da economia”, informou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, em comunicado.

A confederação, no entanto, pede avanços concretos nas reformas estruturais em tramitação no Congresso, especialmente a da Previdência Social. “Esses avanços vão possibilitar a retomada do equilíbrio fiscal de forma a permitir a concretização de uma trajetória sustentável da dívida pública”, concluiu o presidente da CNI.

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Atualizado às 19h30