São Paulo, 04 de Dezembro de 2016

/ Economia

Confiança melhora, mas ainda é pior do que no ano passado
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Índice de Confiança da ACSP aponta que 13º salário traz otimismo ao consumidor, mas efeito sazonal deve ser avaliado com atenção

Uma boa notícia deve ser vista com cautela pelos comerciantes paulistas. Entre outubro e novembro deste ano, a confiança do consumidor, medida pelo Índice Nacional de Confiança da Associação Comercial de São Paulo (INC/ACSP), avançou 5 pontos, para 153 pontos – 200 pontos é o grau máximo de otimismo.

Para Emílio Alfieri, economista da ACSP, a boa nova não deve ser lida como um sinônimo de vendas em alta em 2015. “A melhora é alentadora, mas tem um forte componente sazonal”, diz. Esse é um dos impactos da chegada do 13º salário na economia – com mais dinheiro no bolso, o consumidor melhora de humor e vê o cenário total com mais otimismo.

A prova dos nove deverá vir a partir de janeiro, quando será colocada em prática, efetivamente, a nova política econômica que, na expectativa de Alfieri, deverá ser pautada pela redução de despesas públicas, aumento de tributos e juros mais altos. “O primeiro trimestre será o verdadeiro teste para a economia”, afirma o economista.

Por enquanto, a melhora da confiança ainda não resultou em aumento do consumo. A intenção de compra dos consumidores subiu apenas 1 ponto percentual entre outubro e novembro – agora, 41% das mil pessoas consultadas espera fazer aquisição de produtos de maior valor agregado, como eletrodomésticos.

Na comparação com 2013, todos os indicadores apontaram redução de confiança – exceto o que mede a percepção da situação financeira atual. Hoje, 49% dos entrevistados consideram sua situação financeira boa, mais que os 46% em novembro do ano passado. 

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Alfieri entende que esse alívio tem a ver com a quitação de financiamentos e outras dívidas. Mais uma vez, o cenário de pouca confiança fez com que os consumidores corressem atrás de pagar o que estava em aberto, deixando mais salário no bolso. “Com menos parcelas, o orçamento fica mais líquido e então o consumidor se sente mais confortável na sua situação financeira”, diz.

Se esse momento otimista se confirmar no primeiro trimestre do ano que vem, o atual freio no consumo poderá se transformar em um bom prognóstico para 2016. “A partir do segundo semestre do ano que vem, o consumidor estará mais capitalizado para voltar às compras”, diz Alfieri. 

CLASSE C SEGUE OTIMISTA

Ao passo que as classes A e B perderam parte de seu otimismo – de 130 pontos para 127 pontos no Índice Nacional de Confiança da Associação Comercial de São Paulo – os representantes da chamada classe emergente se mostram mais animados. O INC chegou a 164 pontos em novembro, contra 156 em outubro. Nas classes D e E, o avanço foi de 137 pontos para 146 pontos em novembro.

Alfieri acredita que o resultado das eleições gerou efeito sobre as classes de menor poder aquisitivo, que também passaram a ter uma posição de maior segurança no emprego. Entre os entrevistados pela pesquisa, 41% se sentem seguros no trabalho – essa parcela não passava dos 36% em outubro. “Essas pessoas têm menos percepção de que será necessário um ajuste na economia e, por isso, estão mais otimistas do que as classes de maior renda”, avalia.



É curioso notar que a maioria dos entrevistados que manifestaram confiança no desempenho da economia não sabe explicar a razão das expectativas positivas

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