São Paulo, 27 de Setembro de 2016

/ Economia

Confiança do consumidor despenca em janeiro
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Piora no crédito, alta da inflação e chances de crise hídrica e elétrica fizeram índice ACSP/Ipsos cair a um patamar semelhante ao das manifestações de 2013

A confiança do consumidor ficou ainda mais abalada em janeiro. Dados do Índice Nacional de Confiança do Consumidor (INC) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), apurado pelo Instituto Ipsos, caiu de 148 pontos, em dezembro, para 137 no mês passado.

A diferença de 11 pontos no indicador igualou-o ao de setembro de 2013, período em que os reflexos das manifestações de junho e julho começaram a aparecer. Em janeiro de 2014, o indicador da ACSP/Ipsos marcava 161 pontos.

“Foi uma queda generalizada nas regiões e classes sociais. Pioraram também os indicadores que medem a percepção do consumidor em relação à sua situação financeira, ao seu emprego e ao seu consumo”, avalia Rogério Amato, presidente da ACSP e a Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo).

Emílio Alfieri, economista da ACSP, diz que a piora nas condições de crédito, a alta dos juros e o encarecimento do IOF, a inflação em alta e a ampliação dos debates e medidas sobre as crises hídrica e elétrica são as principais razões dessa queda.

“Deve-se destacar o forte resgate dos recursos da caderneta de poupança em janeiro, de R$ 5 bilhões, que provavelmente foi destinado para socorrer o orçamento doméstico”, afirma.

CLASSES A/B ESTÃO MENOS CONFIANTES

No recorte por região, a confiança melhorou apenas nas regiões Norte/Centro Oeste, fortes em agronegócio. Subiram de 131 pontos em dezembro de 2014, para 140 em janeiro de 2015, puxadas pela alta do dólar, que favoreceu as commodities, e pela colheita de grandes safras. No Sul, o indicador subiu pelas mesmas razões, de 146 para 152 pontos.

Já no Sudeste, a seca e a inflação derrubaram o índice, de 158 para 136 pontos. Assim como no Nordeste, a região menos confiante, onde o INC caiu de 154 para 132  pontos devido à alta no preço dos alimentos.

Quanto às classes sociais, as menos confiantes foram as A/B, cujo indicador se manteve estável, mas em patamar muito baixo, com 119 pontos. “São as mais bem informadas, portanto já desconfiavam que poderia haver crises desde as eleições”, diz Alfieri.

Na classe C, a queda foi de 158 para 143, ou 15 pontos, principalmente devido ao aperto no crédito. As classes D/E ficaram na lanterna do ranking de confiança, com queda de 17 pontos (154 para 137).

“Nessa última, o fator IPCA foi determinante, já que alimentos como feijão e batata subiram muito. A falta de água nas regiões mais precárias também contribuiu”, completa o economista.

PERCEPÇÃO ATUAL

O indicador que mede a situação financeira atual também piorou.  Pelo levantamento ACSP/Ipsos, dos mil consumidores entrevistados em todo o país em janeiro, 40% consideram sua situação financeira atual boa. Em dezembro de 2015, eram 45%.

Quando à melhora da situação financeira futura, o indicador mostra que 50% dos entrevistados em janeiro esperam melhora, ante 52% em dezembro.

Já a segurança no emprego caiu bastante: em dezembro, 40% se sentiam seguros. Em janeiro, esse número caiu para 35%. Há um ano, eram 44% dos entrevistados. 

Os anúncios de demissões na indústria e alta dos juros foram fatais para a virada desse índice, segundo Alfieri. Também influenciaram a intenção de compra de eletrodomésticos e de bens de maior valor, como veículos e imóveis. Aqui, 41% dos consumidores se mostraram favoráveis a esse tipo de compra no mês passado, ante 43% em dezembro.

O mesmo aconteceu com compras de bens de grande valor, como veículos e imóveis: em janeiro, 32% dos consumidores estavam mais propensos a esse tipo de aquisição, ante 36% menos à vontade. Em dezembro, essas parcelas eram de 34% e 33%, respectivamente.

“Essa queda na intenção de compra confirma a pesquisa de varejo de janeiro (Balanço de Vendas da ACSP), quando o indicador caiu 3,9%”, lembra Alfieri.  



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