Economia

Confiança de serviços e indústria sobem em setembro, aponta FGV


Com variação de 2,4 pontos na passagem de agosto para setembro, houve melhora no índice de confiança de 11 das 13 principais atividades do setor de serviços


  Por Estadão Conteúdo 29 de Setembro de 2017 às 08:26

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O Índice de Confiança de Serviços (ICS) subiu 2,4 pontos na passagem de agosto para setembro, para 85,6 pontos, na série com ajuste sazonal, informa a Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado é o mais elevado desde dezembro de 2014.

Mas o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) do setor de serviços encolheu de 82,1% em agosto para o piso histórico de 81,5%, patamar que já tinha sido registrado no mês de junho.

"A boa notícia é que, ao longo do terceiro trimestre, as avaliações empresariais sobre a situação corrente e a dos próximos meses mantiveram um perfil equilibrado. Nos meses anteriores, eram as expectativas que vinham ancorando a melhora da confiança. Assim, é possível que a reação na atividade real do setor ganhe um impulso mais claro nos próximos meses", afirma Silvio Sales, consultor do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV).

Houve melhora na confiança de 11 das 13 principais atividades pesquisadas. O Índice da Situação Atual (ISA-S) avançou 3,2 pontos em setembro, enquanto o Índice de Expectativas (IE-S) cresceu 1,6 ponto.

No ISA-S, os subindicadores de Volume de Demanda atual e da Situação atual dos negócios tiveram avanços de 3,2 pontos cada, retornando a patamares semelhantes aos do início de 2015. No IE-S, a principal influência foi da avaliação sobre a Tendência dos Negócios para os seis meses seguintes, que subiu 2,0 pontos.

A coleta de dados para a edição de setembro da sondagem foi realizada pela FGV entre os dias 4 e 26 deste mês.

INDÚSTRIA

Já o Índice de Confiança da Indústria subiu 0,6 ponto em setembro na comparação com agosto, atingindo 92,8 pontos

A coordenadora da Sondagem da Indústria, Tabi Thuler Santos, avalia que o novo avanço do indicador confirma o retorno à fase da confiança industrial que havia sido interrompida em maio, após vir à tona a delação da JBS que implicava o presidente Michel Temer.

"Os sinais têm sido consistentes: há contínua melhora das avaliações sobre o momento presente e a maioria dos indicadores da pesquisa deixou para trás os níveis extremamente baixos em que se encontravam durante o período recessivo", explicou.

O único porém é, segundo Tabi, que o setor ainda opera com elevado nível de ociosidade, "mostrando que a recuperação do nível de atividade, apesar de já ser uma realidade, está apenas começando", afirma a coordenadora da Sondagem da Indústria do IBRE/FGV.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) recuou 0,2 ponto em setembro, atingindo 73,9%. Em termos trimestrais também houve queda: o Nuci atingiu 74,2% no terceiro trimestre, 0,3 pp abaixo do observado no trimestre anterior.

A alta da confiança alcançou oito dos 19 segmentos industriais e decorreu da melhora das avaliações sobre a situação atual e também das expectativas sobre o futuro dos negócios. O Índice da Situação Atual (ISA) subiu 0,6 ponto, para 90,6 pontos, renovando a máxima desde maio de 2014 (92,3 pontos). O Índice de Expectativas (IE) aumentou 0,5 ponto, para 94,9 pontos.

No ISA, as melhores percepções sobre o nível de demanda foi o subgrupo que mais influenciou o avanço, crescendo 1,9 ponto em setembro, para 91,2 pontos, que é o maior nível desde maio de 2014 (92,4 pontos).

A parcela de empresas que considera a demanda forte subiu de 7,6% para 8,2% entre agosto e setembro, enquanto a fatia que avalia que a demanda é fraca permaneceu relativamente estável, segundo a FGV, passando de 28,7% para 28,8%.

O melhor desempenho do IE foi motivado pelas expectativas mais elevadas em relação à tendência dos negócios nos seis meses seguintes.

O indicador avançou 2,8 pontos, para 96,8 pontos. A proporção de empresas que acreditam a situação estará melhor aumentou de 34% para 35,6%, enquanto a parcela daquelas que veem piora caiu de 14,8% para 11,9%.

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