São Paulo, 06 de Dezembro de 2016

/ Economia

Comércio perdeu fôlego em 2014
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As vendas cresceram apenas 1,7% no ano passado, revela indicador da Associação Comercial de São Paulo

Juros altos, crédito restrito e a confiança baixa foram os três fatores que enfraqueceram as vendas do comércio no ano passado. No período, o aumento médio das vendas a prazo e à vista foi de apenas 1,7%, abaixo da expectativa de 2% a 3% elaborada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Neste ano, a expectativa é de aumento de 1% a 2% nas vendas do comércio. O fluxo de consumidores nas lojas caiu, de acordo com outro indicador, o ICV (Índice de Consumidores do Varejo Mensal), da Virtual Gate. 

“Esse quadro é reflexo da alta taxa de juros para combater a inflação, a queda da confiança, a desaceleração do crédito e também da massa salarial”, diz Rogério Amato, presidente da ACSP, da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo) e presidente-interino da CACB (Confederação as Associações Comerciais e Empresariais do Brasil).

O balanço de vendas da ACSP, feito com amostra fornecida pela Boa Vista Serviços, mostra que as vendas de itens de pequeno valor, como cosméticos e bijuterias, por exemplo, tiveram melhor desempenho que no ano passado. A alta foi de 2%, na comparação com 2013, quando encerrou com elevação de 0,9% frente ao ano anterior. 

Emilio Alfieri, economista da ACSP, diz que as manifestações de junho prejudicaram as vendas daquele ano inteiro, porque fecharam importantes corredores comerciais da capital. “Aqueles eventos prejudicaram o ano todo e só por isso as vendas subiram mais em 2014, já que não houve mudança na conjuntura econômica”, afirma. Alfieri afirma que o crescimento das vendas à vista neste ano dependerá da estabilidade do mercado de trabalho e da renda. 

Na comparação com dezembro de 2013, as vendas à vista cresceram 2,3%. Ante novembro, a alta foi de 51,4%, um movimento sazonal e influenciado pelo pagamento do décimo-terceiro salário. 

Já as vendas a prazo cresceram 1,3% em 2014, menos do que os 1,6% em 2013. “Essa era uma queda esperada pela alta dos juros, que afeta a tomada de crédito pelo consumidor para comprar a prazo. É uma desaceleração que pode continuar, a depender de novos aumentos”, afirma.

Para se ter uma ideia do reflexo do aumento da taxa de juros, basta comparar a evolução das vendas a prazo em dezembro de 2014 com a do mesmo mês de 2013, período no qual houve queda de 1%. Na comparação mensal, de dezembro contra novembro, as vendas subiram 21,5%, acompanhando o período sazonal de pagamento de gratificação de fim de ano. O que também contribuiu para esse resultado foi o fato de dezembro ter dois dias úteis a mais do que o mês anterior. 

INADIMPLÊNCIA FICA ESTÁVEL

Os registros de inadimplência caíram 19,1% em dezembro ante novembro, fato que pode ser explicado sazonalmente pelo pagamento do décimo-terceiro salário e pela menor demanda por crédito. Na comparação com dezembro de 2013, a inadimplência teve uma ligeira queda de 0,8%. No ano, a taxa de inadimplência cresceu 1,9%. 

A taxa de recuperação de crédito, que mostra os cancelamentos de dívidas ativas de consumidores, por sua vez, subiu 8,3% na comparação com novembro. O percentual está em linha com as campanhas de renegociação de dívidas que ocorreram no fim do ano.

O pagamento do décimo-terceiro salário também refletiu nessa alta. Já em dezembro, essa taxa caiu 0,8%, sinalizando estabilidade. No acumulado do ano passado, subiu 2,1%.

No ano, tanto a inadimplência quanto a taxa de recuperação de crédito ficaram em um patamar próximo de 2%, o que mostra uma estabilidade entre os registros de débitos em atraso recebidos e cancelados. “Foi um patamar satisfatório após mais de dois anos de queda da inadimplência. A taxa líquida das lojas ficou em 4,7%, a mesma do ano anterior. O percentual abaixo de 5% é positivo e mostra que a inadimplência está sob controle”, afirma o economista da ACSP. 

MENOS CONSUMIDORES ESTIVERAM NAS LOJAS

Outro indicador que confirma que 2014 foi um ano fraco para o comércio é o de fluxo de pessoas nas lojas. O ICV (Índice de Consumidores do Varejo Mensal), realizado pela Virtual Gate, registrou queda de 3,8% no fluxo de clientes nas lojas no ano passado, na comparação com 2013.

“Sem dúvida, 2014 foi um ano bastante difícil para o varejo. Foi o pior desempenho dos últimos dez anos”, afirma Eduardo Terra, presidente da SBVC (Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo), que, em parceria com a Virtual Gate, monitora o tráfego de pessoas em 1.200 pontos comerciais no país. Considerando só o mês de dezembro, o ICV caiu 4,1% em relação a igual mês de 2013.

Heloisa Cranchi, diretora geral da Virtual Gate, diz que a queda do ICV revela que este será um ano para ser avaliado com atenção. “Certamente, é um resultado que merece análises cautelosas dos varejistas. É preciso buscar alternativas para inverter este cenário em 2015”, afirma Heloisa.

Para Terra, a queda do índice pode sinalizar que os consumidores estão dividindo as compras entre lojas físicas e virtuais. “Hoje, as compras on-line são uma realidade, mas as lojas físicas não deixarão de existir. O varejista terá de entender profundamente seu cliente e atendê-lo de uma maneira capaz de torná-lo cada vez mais satisfeito”, afirma.

* Colaborou Fátima Fernandes



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