São Paulo, 24 de Julho de 2017

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Comércio paulistano fecha postos de trabalho
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As lojas de Vestuário, Tecidos e Calçados e as Lojas de Departamentos foram as atividades que apresentaram as maiores reduções do número de empregados em relação a janeiro

O comércio varejista da Região Metropolitana de São Paulo segue fechando vagas em 2015. Em fevereiro, foram admitidos 43.119 e desligados 45.058, um saldo negativo de 1.939 contratações, o que resultou no menor estoque dos últimos seis meses, totalizando 1.011.904 empregados formais. Os dados compõem a pesquisa mensal da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) a partir de dados do Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego.

Em fevereiro, o saldo de empregados caiu 0,2% ante janeiro e avançou 0,2% na comparação com fevereiro do ano passado. As lojas de Vestuário, Tecidos e Calçados e as Lojas de Departamentos foram as atividades que apresentaram as maiores reduções do número de empregados em relação a janeiro, com quedas de 1,7% e 1%, respectivamente.

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Já no comparativo com fevereiro do ano anterior, Concessionárias de Veículos registraram novamente o pior desempenho, com redução de 6,4%. As atividades com incremento no montante de empregados nessa base de comparação foram Supermercados (3,9%) e Farmácias e Perfumarias (2,9%). O índice de rotatividade geral ficou em 4,35 em fevereiro e em 4,57 em 12 meses.

Segundo a assessoria econômica da FecomercioSP, o consumo das famílias, que exerceu ao longo de anos recentes o papel de sustentação do crescimento interno, está dando sinais claros de incapacidade de manter um ritmo positivo, indicando o esgotamento deste modelo de desenvolvimento. "Sem expectativas de melhora da economia no curto prazo, os impactos negativos sobre as receitas e empregos do comércio varejista ficam cada vez mais evidentes", dizem os analistas em relatório.

Para a entidade, as incertezas dos comerciantes e consumidores em razão do baixo crescimento econômico, inflação elevada, juros altos e onda de reajustes de impostos e serviços básicos (como energia elétrica e transportes), influenciam o desaquecimento na geração de emprego. No acumulado do primeiro bimestre do ano, foram fechadas 16.802 vagas, o pior desempenho para esse intervalo desde pelo menos 2008.

De acordo com os analistas da FecomercioSP, neste momento o que há de pior na economia brasileira é a forte incerteza com a qual empresários e consumidores se deparam. "Enquanto os primeiros receiam investir – e não obter o retorno esperado –, os consumidores não sabem quanto seus salários serão deteriorados pela inflação persistentemente alta - sem indícios claros de reversão no médio prazo", aponta o texto.

PROJEÇÕES

De acordo com o relatório, na perspectiva anual a queda da intenção de contratar já atinge 19%, enquanto o nível previsto de investimentos cai 24% e o índice de expansão geral recua 21%. Este é o pior momento para o indicador de expectativa de contratações ao longo de toda a série histórica.

Com base nesses dados e em outras variáveis, a FecomercioSP estima que o nível de pessoal ocupado subirá 0,4% este ano em São Paulo e 0,9% no Brasil como um todo. O rendimento médio mensal deve recuar 2,2% no Estado e 3,8% no País. E a massa de rendimentos provavelmente terá redução de 1,8% entre os paulistas e 3,0% entre os brasileiros.

 



De forma geral, os indicadores continuam em patamares melhores do que no ano passado, mas ainda aquém do desejável de uma economia em sua plenitude, de acordo com a Fecomercio

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