São Paulo, 29 de Maio de 2017

/ Economia

Com mais uma redução, Selic vai a 11,25% ao ano
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Cenário é estabilização da economia no curto prazo. Para a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o Banco Central acertou na redução da taxa básica de juros

Pela quinta vez seguida, o Banco Central (BC) reduziu os juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu nesta quarta-feira (12/04) a taxa Selic em 1 ponto percentual, de 12,25% ao ano para 11,25% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros.

Com a redução de hoje, a Selic retorna ao nível de dezembro de 2014, quando também estava em 11,25% ao ano.

“É um corte muito bem-vindo. Com a queda de preços já dentro da meta para o ano, é preciso reduzir rapidamente a diferença entre a Selic e a inflação. Mais do que isso, a decisão do BC é uma ação concreta para alavancar a retomada da economia e, principalmente, conter o desemprego”, analisa Marcel Solimeo, superintendente institucional da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano, no menor nível da história, e passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015. Somente em outubro do ano passado, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia.

“O Banco Central está fazendo seu papel ao aumentar o corte dos juros. No entanto, o Brasil tem pressa e há espaço para recuos ainda maiores da Selic”, afirma Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA ficou em 0,25% em março, o menor nível registrado para o mês desde 2012.

Nos 12 meses terminados em março, o IPCA acumula 4,57%.

Até o ano passado, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecia meta de inflação de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%. Para este ano, o CMN reduziu a margem de tolerância para 1,5 ponto percentual. A inflação, portanto, não poderá superar 6% neste ano.

Segundo a análise da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) o BC acertou em reduzir a Taxa Selic para 11,25% ao ano, diante de um cenário inflacionário que permite não apenas acelerar a queda de juros, como exige medidas deste tipo para retomar o caminho do crescimento econômico.

Em nota, a entidade também defendeu que o movimento de corte de juros poderia ter começado um pouco antes. "O nível de atividade econômica, ainda muito instável, também precisava desta maior velocidade na redução da Selic, que fica mais próxima de terminar o ano de 2017 abaixo dos dois dígitos. Nesse aspecto a opção do BC em reduzir em 1 p.p. a Selic foi um bom sinal. A expectativa é que na próxima reunião o ciclo de queda de juros mantenha o ritmo", informou. 

"A entidade entende que existem condições para a redução continuada de juros ao longo de 2017, mesmo projetando uma retomada modesta do nível de atividade a partir do segundo semestre (alguns setores devem começar a retomada antes, mas muito timidamente)."

PARA O COPOM CORTE FOI ADEQUADO

No comunicado da decisão de cortar em 1 ponto porcentual a taxa Selic, o Comitê de Política Monetária (Copom) alegou que o comportamento da inflação permanece favorável. O Banco Central avaliou que o processo de desinflação se difundiu e se consolidou nos componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária.

"A desinflação dos preços de alimentos constitui choque de oferta favorável", acrescentou a autoridade monetária. De acordo com o Copom, o choque favorável de alimentos pode inclusive contribuir para quedas adicionais das expectativas de inflação de outros setores da economia.

O comitê também repetiu que a aprovação das reformas fiscais é relevante para a sustentabilidade dessa desinflação e para reduzir a taxa de juros estrutural da economia.

Por outro lado, o BC afirmou que o alto grau de incerteza no cenário externo pode dificultar o processo de queda na inflação. Mesmo assim, o Copom avaliou que, até o momento, esse cenário tem mitigado os efeitos sobre o Brasil de possíveis revisões de política econômica em países centrais, como os Estados Unidos.

O colegiado destacou ainda incertezas sobre a sustentabilidade do crescimento econômico global e sobre a manutenção dos níveis correntes de preços de commodities.

O BC considerou que os indicadores de atividade divulgados desde a última reunião, em fevereiro, permanecem compatíveis com a estabilização da economia no curto prazo e com uma retomada gradual ao longo de 2017. Entretanto, o comunicado também afirmou que a "recuperação da economia pode ser mais (ou menos) demorada e gradual do que a antecipada".

Ao acelerar o ritmo do corte de juro para 1 ponto porcentual, o Copom afirma que houve "intensificação moderada" do afrouxamento das condições da economia e a nova velocidade "mostra-se, no momento, adequada".

"O comitê considera o atual ritmo adequado, entretanto, a atual conjuntura econômica recomenda monitorar a evolução dos determinantes do grau de antecipação do ciclo", cita o comunicado.

"Essa intensificação moderada em relação ao ritmo das reuniões de janeiro e fevereiro mostra-se, no momento, adequada", argumenta o colegiado do BC.

"O Comitê entende que a convergência da inflação para a meta de 4,5% no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos-calendário de 2017 e, com peso gradualmente crescente, de 2018, é compatível com o processo de flexibilização monetária". No texto, o Copom cita duas vezes que o novo ritmo de corte de 1 ponto é adequado.

Sobre a extensão do ciclo de afrouxamento das condições monetárias, o comunicado do BC repete a explicação de que "dependerá das estimativas da taxa de juros estrutural da economia brasileira". Essa argumentação, porém, foi reforçada com a afirmação de que é preciso avaliar a atividade.

Segundo o texto, o ciclo também dependerá "da evolução da atividade econômica, dos demais fatores de risco acima e das projeções e expectativas de inflação". Essa frase não constava do comunicado da reunião de fevereiro.

Ao mesmo tempo, o BC reafirmou nesta quarta-feira que a extensão do ciclo afeta diretamente o ritmo de eventuais novos cortes de juro.

"O ritmo de flexibilização monetária dependerá da extensão do ciclo pretendido e do grau de sua antecipação", cita o BC, ao repetir que o cenário depende da evolução da atividade, dos demais riscos e das projeções de inflação.

IPCA

A projeção para o IPCA em 2017 no cenário de mercado teve elevação marginal na comparação com o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado no fim do mês passado e passou de 4% para 4,1%, de acordo com comunicado divulgado pelo Banco Central após o corte de 1 ponto porcentual da taxa básica de juro.

Já a previsão para a inflação de 2018 permaneceu ao redor de 4,5%, exatamente como no Relatório de Inflação divulgado no fim do mês de março. No cenário de mercado, o BC projeta a inflação futura levando em conta a trajetória para as taxas de juros e câmbio apontadas pela pesquisa semanal Focus. "Esse cenário supõe trajetória de juros que alcança 8,5% ao ano ao final de 2017 e se mantém nesse nível até o final de 2018", cita o comunicado do BC.

No documento, o BC ressalta que as expectativas de inflação apuradas pela pesquisa estão em torno de 4,1% para 2017, mantiveram-se ao redor de 4,5% para 2018 e, para 2019 e horizontes mais distantes, "encontram-se ligeiramente abaixo de 4,5%".

Assim como na decisão de fevereiro, o comunicado do Copom não trouxe as previsões do cenário de referência para a inflação neste e no próximo ano.

Com informações de Agência Brasil e Estadão Conteúdo

Atualizado às 19h35



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