São Paulo, 05 de Dezembro de 2016

/ Economia

Ciclo de alta dos juros pode estar perto do fim
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Segundo o Focus, os analistas esperam que a Selic suba 0,50 ponto percentual nesta semana e permaneça em 13,25% até o fim do ano

Apesar da deterioração nas expectativas para a inflação e para o PIB (Produto Interno Bruto, a soma de de bens e serviços produzidos pelo país), os analistas do relatório Focus projetam que o ciclo de alta da taxa básica de juros (Selic) esteja chegando ao fim. Para eles, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve elevar a Selic de 12,75% ao ano para 13,25% ao ano na reunião que termina nesta quarta-feira (29/4). É neste patamar que os analistas esperam que a taxa se mantenha no encerramento de 2015.

Para o fim de 2016, a projeção foi mantida em 11,50% ao ano de uma semana para outra. Esta é a 17ª semana consecutiva que a taxa Selic está estacionada neste patamar. 

Para o grupo dos economistas de instituições que mais acertam - o Top 5 - a Selic ao fim de 2015 será de 13,50% - a mesma previsão da semana anterior. Para 2016, a expectativa é a de que a taxa fique em 12% ao ano, mesma estimativa há cinco semanas.

A Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), espera que a taxa Selic suba 0,50 ponto percentual na reunião desta semana.

"Seja qual for a elevação da Selic, haverá pouco impacto nas taxas de juros das operações de crédito", diz em nota Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac. Isso porque todo o conjunto de elevações já promovidas pelo Banco Central (BC) já foi repassado para as taxas do crédito a empresas e consumidores. 

A expectativa de que o ciclo de alta dos juros chegue ao fim neste mês está em linha com as projeções de queda para o PIB. O Focus espera que a queda na atividade econômica seja de 1,10%, ante 1,03% na semana passada.

Para 2016, a expectativa segue um pouco mais otimista. Entre uma semana e outra a previsão foi mantida em crescimento de 1%.

As estimativas mais fracas para o PIB foram influenciadas pela piora na expectativa para o recuo da produção industrial, que passou de 2,42% para 2,50% em quatro semanas.

Para 2016, as apostas de expansão para a indústria seguem em crescimento de 1,50% há três semanas consecutivas. Há quatro edições da pesquisa Focus, a previsão era de alta de 1,68%.

Os analistas esperam que o dólar encerre o ano em R$ 3,20, estimativa parecida com a da semana anterior, que era de R$ 3,21.

Para 2016, a cotação final segue em R$ 3,30 e manteve-se alta. Até a última sexta-feira, o dólar ante o real apresentava queda de 7,59% em abril e alta de 11,37% no ano. A cotação da moeda comercial terminou o último dia útil da semana passada em R$ 2,96.

Apesar de manter a Selic inalterada, os analistas voltaram a subir a previsão para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). A estimativa passou de 8,23% na semana passada para 8,25% nesta semana. Para o fim de 2016, a projeção para o IPCA foi mantida em 5,60% pela quarta semana consecutiva. 

O que deve continuar pressionando a inflação, segundo o Focus, é o aumento dos preços administrados. A expectativa é de alta de 13,10% para esse conjunto de preços, ante 13% há uma semana.

Para o Banco Central, os preços administrados devem apresentar alta de 11% no ano, número que leva em conta as variações ocorridas, até fevereiro, nos preços da gasolina (8,4%) e do gás de bujão (1,2%), bem como as hipóteses, para o acumulado de 2015, de redução de 4,1% nas tarifas de telefonia fixa e de aumento de 38,3% nos preços da eletricidade. Já para 2016, a expectativa do Focus para o aumento desse conjunto de itens aumentou subiu de 5,60% para 5,71%.

* Com informações de Estadão Conteúdo

 



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