São Paulo, 30 de Setembro de 2016

/ Economia

Brasil desponta como o mais vulnerável entre os países emergentes
Imprimir

É o que revela relatório do banco Morgan Stanley. Mas não está só: economistas apontam que alguns dos grandes países em desenvolvimento enfrentam um novo momento econômico delicado em meio a uma onda de incerteza e maior vulnerabilidade.

A vulnerabilidade dos países emergentes volta a ser tema para os investidores internacionais, e o Brasil aparece na análise do banco Morgan Stanley como o mais frágil dentre os grandes emergentes. Vários bancos têm emitido alertas sobre as economias que enfrentam problemas internos e dependência de dinheiro estrangeiro.

A recente disparada do dólar é um sinal do fenômeno. O novo grupo sob o foco do mercado se parece muito com os "cinco frágeis" de 2013 e conta, além do Brasil, com a África do Sul, Indonésia, México e Turquia.

Economistas apontam que alguns dos grandes países em desenvolvimento enfrentam um novo momento econômico delicado em meio a uma onda de incerteza e maior vulnerabilidade.

O grupo tem como pano de fundo quatro elementos principais: o dólar forte e expectativa de alta do juro nos Estados Unidos; o aumento excessivo do endividamento do setor privado; a expectativa de desaceleração na China; e a falta de reformas estruturais domésticas.

"O momento da deflação diminuiu e todas as economias do G-3 - Estados Unidos, Europa e Japão - estão mostrando uma guinada em direção ao crescimento. Como resultado, os rendimentos da dívida dos EUA e o dólar estão subindo. Essa é uma combinação que pode ser difícil de ser lidada pelas economias emergentes", dizem os analistas Manoj Pradhan e Patryk Drozdzik, do Morgan Stanley.

Em Londres, os economistas do banco citam que cinco países estão no grupo dos mais vulneráveis: Brasil, Indonésia, México, África do Sul e Turquia - nessa ordem. "Nosso mapeamento dos fundamentos indica países onde a exposição ao exterior é maior e nós pedimos atenção especial para o Brasil", destacam.

Em Paris, o banco Societé Generale listou um grupo parecido: Brasil, México, Turquia e África do Sul. No grupo, o banco aponta o real brasileiro e também o peso mexicano como os mais vulneráveis à subida do dólar e do juro nos EUA. Em Zurique, o chefe de investimento global do UBS, Mark Haefele, divulgou análise coincidente e cita Brasil, Indonésia, África do Sul e Turquia como os países mais vulneráveis.

O Brasil é, por enquanto, o país que mais sofreu com essa nova onda de desconfiança, e o real é a moeda do grupo dos vulneráveis que mais caiu. Apenas em março, o dólar ficou 9,35% mais caro em relação à moeda brasileira. Entre as demais economias, a divisa dos EUA subiu 5,9% na África do Sul, 4,7% na Turquia, 4,4% no México e 2% na Indonésia. No ano, a alta chega a 17% no Brasil e a 13% na Turquia.

Analistas dizem que o Brasil parece mais frágil porque, além dos fatores externos comuns ao grupo, a situação interna é ainda mais complicada. Em Estocolmo, o banco SEB resumiu o quadro ao afirmar que a "caixa de Pandora" foi aberta no Brasil.

"A tendência de queda do real continuará diante do fraco crescimento econômico, expectativa de juro maior nos EUA, aperto na política fiscal e monetária, risco de racionamento elétrico e rebaixamento de rating, corrupção e preocupação sobre a capacidade do governo de consolidar as contas públicas, além da maior seca em 80 anos", resume a analista Louise Valentin.

Esse alinhamento de problemas também é apontado pelo Morgan Stanley. "O Brasil parece ser a única economia que recebe influência dos três elementos de contágio aos emergentes", dizem os economistas. Os três fatores são: alta do juro nos EUA, desaceleração da China e os problemas internos.

CINCO FRÁGEIS

A lista citada pelos três bancos europeus é bem semelhante à vista em meados de 2013, quando o mesmo Morgan Stanley cunhou a expressão "cinco frágeis" para Turquia, Brasil, Índia, África do Sul e Indonésia. A única diferença atual é a saída da Índia e a substituição pelo México.

Quando o termo "cinco frágeis" surgiu, o governo brasileiro reagiu com veemência e rechaçou o título com uma série de dados e explicações. Ontem, procurado, o Ministério da Fazenda preferiu não comentar.



Sete em cada dez entrevistados não pagaram parcelas de empréstimos em dia, seguidos por inadimplentes em cartão de loja

comentários

Dados do Banco Mundial de 2015 mostram que o país tem índice de 20,84% de abertura comercial. Média mundial é de 45,19%

comentários

Projeção para a economia passou de queda de 1,7% do PIB do país para 0,30% em 2017, segundo a Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico

comentários