São Paulo, 06 de Dezembro de 2016

/ Economia

Bornhausen traça possíveis cenários para a atual crise
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Ex-senador diz como o Brasil pode superar as crises econômica, ética e política. Para ele, quatros cenários são possíveis à realidade brasileira. Saiba quais são

“Estamos diante de uma recessão inegável. Nossa presidente está sem credibilidade, a inflação em alta, com base instável, e diante de uma crise ética muito presente.“ Foi assim que o ex-senador Jorge Bornhausen, coordenador do Cops (Conselho Político e Social) da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), deu início a mais uma reunião do Conselho, nesta segunda-feira (18/5).

A seu ver, a confluência das crises econômica, ética e política pelas quais o país atravessa tiveram o ano de 1964 como precedente, quando a inflação alcançava 60%, havia um presidente da República fraco e seguidas acusações de corrupção.

“Ocorre que naquela ocasião tínhamos as Forças Armadas politizadas, em função da própria redemocratização na queda do presidente Getúlio Vargas”, diz.

“Mesmo diante de um cenário semelhante ao daquele período, temos que afastar a hipótese de qualquer possibilidade de intervenção de natureza militar contra a crise.”

Para Bornhausen, atualmente quatro cenários são possíveis à realidade brasileira.

São eles: sobrevivermos, mesmo que com dificuldades até o final do mandato; uma melhoria mundial que faria o país voltar a crescer e criaria uma sensação de otimismo; o impeachment, ainda que difícil, mas não impossível, já que a ação possui embasamento jurídico; e por fim, a mudança do sistema de governo no Brasil. 

À ESPERA DAS ELEIÇÕES DE 2018

Uma das hipóteses levantadas por Bornhausen é de que a crise deve se estender até as eleições de 2018, quando o partido da atual presidente e seus planos eleitorais já estiverem desgastados. 

“Da maneira como as coisas estão caminhando, a classe política como um todo está sofrendo as consequências de descrédito da opinião pública. E então as fileiras oposicionistas se dividirão quanto à melhor tática para se beneficiar da crise em 2018.” 

Outro cenário evocado seria pegar carona numa possível retomada do crescimento mundial a partir do próximo ano. Para ele, com a valorização do dólar e do euro, e a permanência da China no crescimento de 7% com melhoria no preço das commodities, o Brasil poderia ter um surto de crescimento já no início de 2017, o que permitiria chegar a 2018 numa situação em que o governo não esteja tão desmoralizado como hoje. 

PERDA DE MANDATO

A possível renúncia da presidente ou um impedimento constitucional também foram debatidos pelo senador, que cita a análise de Ives Gandra Martins sobre o assunto. 

“Ele (Ives Grandra) diz já haver crime de responsabilidade que permitiria dar juridicidade a um pedido de impeachment. E o defendeu com base na prática de crime culposo grave, citando especificamente o caso da Petrobras, por corrupção ou concussão, durante oito anos, com desfalque de bilhões de reais, por dinheiro ilicitamente desviado. Ou seja, um crime culposo continuado com conhecimento dos fatos por parte da presidente da República”, diz.

Por culpa, são consideradas as figuras de omissão, imperícia, negligência e imprudência.

O financiamento da campanha de 2014 também foi apontado pelo senador como outro episódio contra a presidente. “O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes apresentou um parecer favorável, porém com ressalvas. Portanto, tudo irá depender da disposição política do Congresso Nacional”, diz.

MODELO DE GOVERNO

Aplicar a mesma solução dada em 1961 - a votação do Parlamentarismo, após a renúncia de Jânio Quadros - foi a última possibilidade citada pelo senador. “Essa não é uma hipótese absurda e tem de ser levada em consideração. Temos que estimular o debate e descobrir novos caminhos”, diz. 

Bornhausen afirma que Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, pode se consolidar como uma figura “inteligente, audaciosa e que não mede meios, pois tem seus fins como prioridade.” 

Dentre os cenários apresentados por Bornhausen, Roberto Macedo, economista e coordenador do COE (Conselho de Economia), da ACSP, acredita que o mais incerto e inseguro seja a expectativa ocorrer um crescimento mundial. 

“Não vejo esse cenário contemplável, ao contrário vejo um cenário de piora. Pois, a situação econômica é realmente muito delicada. A discussão do ajuste fiscal ainda não está assegurando a retomada da confiança do empresário. O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, que deveria cuidar de investimentos, ainda não disse a que veio”, diz. 

“Portanto, é previsível que teremos dificuldades no acerto da legislação. Trata-se de uma área complicada, pois para estimular o empresário é preciso garantir uma taxa de retorno, e ainda é tudo muito incerto.”



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