São Paulo, 05 de Dezembro de 2016

/ Economia

Analistas pioram projeções para a inflação, câmbio e PIB
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Expectativas do relatório semanal Focus, com base em indicadores de curto prazo, ainda não pararam de mostrar economia fraca e com inflação, juros e câmbio elevados

A cada semana, o relatório Focus, que reúne as projeções de analistas de 25 instituições financeiras, traz um cenário pior para a inflação, juros, câmbio e Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todos os bens e serviços produzidos pelo país). Nesta segunda-feira (6/4) não foi diferente. 

Pela 14ª semana consecutiva, os analistas subiram a expectativa para a inflação oficial medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que para este ano ficou em 8,20%. Há um mês, a previsão era de alta de preços de 7,77% para 2015. O Banco Central (BC), por outro lado, espera que o IPCA encerre este ano em 7,90%. 

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Segundo André Muller, economista da Quest Investimentos – que faz parte do Top 5 para o IPCA no curto prazo – ou seja, do grupo de cinco instituições financeiras que mais acertam as projeções, a expectativa para a inflação só deve melhorar quando a atividade realmente mostrar sinais de desaceleração, com o aumento do desemprego. 

"Isso não está visível nos números correntes. Por isso, consideramos que a inflação ainda está pressionada pela alta dos preços administrados neste primeiro trimestre e pela valorização do dólar ao longo do ano", diz Muller, que também projetou alta de 8,2% para o IPCA deste ano.

O indicador de preços para o mês de março será divulgado nesta quarta (8/4) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Para o fim de 2016, as projeções do Focus para a inflação oficial foram mantidas em 5,6%. 

A projeção do grupo Top 5, no entanto, é de uma inflação ainda maior no médio prazo: de 8,44% para 2015 e de 5,64% para o fim de 2016. De acordo com o Relatório Trimestral de Inflação do BC, divulgado no mês passado, a taxa ficará em 4,9% pelo cenário de mercado – que considera juros e dólar constantes.

Depois da alta de 1,24% de janeiro, revelada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e de 1,22% em fevereiro, a projeção para a taxa em março permaneceu em 1,4%. 

A partir de abril, o indicador deve fechar com elevação menor do que 1% e assim seguir até o segundo semestre por uma razão sazonal, segundo Muller da Quest. O Focus espera que a inflação mensal de abril suba 0,64%.

Responsáveis por pressionar a inflação no primeiro trimestre deste ano, os preços administrados devem subir 13% no fechamento de 2015, segundo o relatório Focus.

A expectativa estacionou depois de 16 semanas consecutivas de aumentos para o indicador. Para o BC, a alta desse conjunto de preços deve ficar circunscrita ao primeiro trimestre.

Já para 2016, a expectativa é a de que a pressão desse conjunto de itens seja menor sobre a inflação. Nesta semana, os analistas mantiveram a projeção de alta de 5,50% pela oitava vez consecutiva.

Outro fator que influencia a inflação é a taxa de câmbio, que continua a subir segundo as expectativas dos analistas.

A estimativa para o final deste ano passou de R$ 3,20 para R$ 3,25. Há um mês, a projeção para a alta do dólar no fim de 2015 era de R$ 2,95. 

Já para 2016, a cotação final subiu de R$ 3,23 para R$ 3,30 de uma semana para outra – estava em R$ 3 quatro levantamentos antes. 

Como a previsão para a inflação de 2015 continua subindo, o mercado financeiro manteve o consenso de que haverá uma elevação da Selic dos atuais 12,75% ao ano para 13,25% na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) marcada para o fim deste mês. 

Além disso, de acordo com o Focus, para o fim de 2015 a projeção para a Selic foi mantida em 13,25%. Há um mês, a estimativa era de que a taxa encerrasse 2015 em 13% ao ano. 

Para o fim de 2016, a expectativa foi mantida em 11,50% ao ano de uma semana para outra. Esta é a 14ª semana consecutiva que a taxa está estacionada neste patamar. No entanto, os analistas esperam que ela ainda suba para 11,95% antes de voltar ao patamar de 11,50% no fechamento do ano que vem. 

No caso dos economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 de médio prazo, a Selic encerrará este ano em 13,75% ao ano e em 2016, em 12%, como já previam na semana anterior.

QUEDA DE 1,01% PARA O PIB

Os analistas pioraram um pouco a projeção para o crescimento do PIB deste ano, que passou de uma queda de 1% para 1,01% no relatório desta semana. Apesar da pequena alteração, esta é a 14ª revisão para baixo do indicador. 

Para 2016, a expectativa segue um pouco mais otimista, melhor em relação à última semana. A previsão de alta de 1,05% foi substituída pela de 1,10%. 

Em março, para se ter uma ideia, o setor de serviços, que representa 60% do PIB, teve uma queda de 47,9 pontos, o menor patamar em 70 meses, segundo Índice de Atividade dos Gerentes de Compra (PMI, na sigla em inglês).

O indicador do HSBC mostra que dos seis subsetores monitorados, os de Intermediação Financeira e de Aluguéis e Atividades de Negócios foram os principais pontos fracos.

Os prestadores de serviços indicaram que um ambiente econômico cada vez mais desafiador resultou em volumes mais baixos de novas encomendas em março. A entrada de novos trabalhos caiu mais fortemente desde abril de 2009. 

Apesar da ausência de novos negócios, a quantidade de trabalhos pendentes mantida pelas empresas brasileiras de serviços cresceu em março. Isso refletiu, em parte, os níveis reduzidos de empregos. Após três meses de alta, o subíndice de emprego passou a cair em março, com os empresários tentando reduzir custos.

Os preços de insumos no setor de serviços cresceram ainda mais em março, pela segunda taxa mais forte em mais de seis anos.

Desta forma, os entrevistados da pesquisa PMI indicaram que os serviços de infraestrutura e os combustíveis ficaram mais caros, com algumas empresas culpando também a depreciação da moeda e a elevação das taxas de juros pelo aumento, no geral, das cargas de custo.

Apesar do cenário negativo, os empresários do setor de serviços ainda mostraram certo grau de otimismo com o futuro. 

Mesmo assim, o subíndice de expectativas de negócios atingiu a sua segunda leitura mais baixa na história das séries. 

"A recuperação da economia no setor privado do Brasil observada em fevereiro foi de curta duração, com os dados do PMI de março apontando queda na produção, no volume de novos negócios e no nível de emprego nos setores industrial e de serviços", diz no relatório Pollyanna de Lima, economista da Markit.

Além do PIB mais fraco, os analistas do Focus esperam queda da produção industrial. A estimativa passou de uma redução de 2,42% em 2015 para baixa de 2,64%. Quatro semanas atrás, era de recuo de 1,38%. 

Para 2016, as apostas de expansão para a indústria caíram de 1,68% para 1,50%. Há quatro edições da pesquisa Focus, a previsão era de alta de 2,40%.

As projeções do mercado financeiro para a balança comercial apresentaram ligeira melhora para 2015. A estimativa para o saldo comercial em 2015 subiu de um saldo positivo de US$ 4 bilhões para US$ 4,02 bilhões. Para 2016, no entanto, a projeção passou de um superávit da balança comercial de US$ 10,50 bilhões para US$ 10 bilhões. 

 

* Com informações de Estadão Conteúdo



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