São Paulo, 27 de Setembro de 2016

/ Economia

Alimentos e energia elétrica pressionam a inflação em maio
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Entre os produtos que mais subiram de preços aparecem cebola (35,59%), tomate (21,38%) e cenoura (15,9%), segundo o IBGE

Os alimentos continuaram a pressionar a inflação oficial em maio deste ano, com aumento de preços de 1,37% no mês. O grupo despesas com alimentação e bebidas respondeu por quase metade da inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que ficou em 0,74% em maio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Entre os alimentos que mais subiram de preços aparecem cebola (35,59%), tomate (21,38%) e cenoura (15,9%), além de carnes (2,32%), pão francês (1,6%), macarrão (1,42%) e leite longa vida (1,32%). Em 12 meses, terminados em maio, os alimentos acumulam alta de 8,8%, pouco acima da inflação média (8,47%).

Outro grupo de despesas que teve impacto importante na inflação de maio foi habitação, com taxa de 1,22%. Principal responsável por essa alta de preços, a energia elétrica, com inflação de 2,77%, foi também o item individual que mais pesou no IPCA de maio.

Em 12 meses, o grupo de despesas habitação teve inflação de 17,59%, aumento puxado pela energia elétrica que, no período, ficou 58,47% mais alta para o consumidor brasileiro.

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O grupo dos transportes já ajudou a frear a inflação, com uma queda de preços de 0,29%. O principal responsável por essa deflação foi o item passagens aéreas, que ficou 23,37% mais barato para os consumidores.

A variação de 0,74% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em maio, bem próxima da média de 0,71% de reajuste dos preços em abril, demonstra de forma clara que o ajuste econômico que vem sendo feito pelo governo passou a ser adotado pelas famílias dentro de suas casas. A avaliação é do economista da RC Consultores, Marcel Caparoz. E esse ajuste familiar está sendo feito por meio da redução da demanda de serviços.

"As famílias já estão reduzindo a demanda por serviços por conta do desemprego e da redução da renda", diz o economista. A inflação de serviços, de 8,23%, diz ele, é ainda muito alta e não deve cair até o final do ano. 

Para 2015, Caparoz trabalha com a inflação cheia de 8,3% e, para 2016, de 6,3%. "Esse discurso do BC de que a inflação vai convergir para o centro da meta no ano que vem não é factível." Na avaliação do economista, o BC vai continuar a elevar a taxa básica de juros, mas o IPCA só cairá para 4,5% em 2017.

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* Com agências 



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