São Paulo, 06 de Dezembro de 2016

/ Economia

A recessão agora está no radar das expectativas
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Pela primeira vez neste ano o Focus projeta queda na atividade. Nesse cenário, empresários devem ficar atentos aos estoques e às oportunidades

A percepção de que em 2015 a economia brasileira entrará em recessão cresceu. Em outras palavras: o PIB – a soma dos bens e serviços produzidos pelo país – será negativo.

Pelo menos é o que mostra o mais recente relatório Focus, elaborado pelo Banco Central semanalmente com analistas de 25 instituições financeiras. Pela primeira vez eles reconhecem que este ano será recessivo. A projeção passou de crescimento zero do PIB, na semana passada, para um recuo de 0,42% no indicador em 2015. 

No entanto, para 2016 a expectativa é de melhora: um crescimento do PIB de 1,50%. O fato é que foi mantida essa projeção, que já aparecia no relatório da semana anterior. 

A LCA Consultores, no início deste mês, também já previa uma recessão, ou uma queda de 1% do PIB, considerando as incertezas na economia e o risco maior de racionamento de energia. 

O desempenho negativo esperado para este ano também reflete uma piora na expectativa para o desempenho da indústria. Segundo o Focus, a projeção para a produção industrial neste ano passou a ser de queda de 0,43%. Na semana passada, a expectativa era de alta de 0,44% para o indicador. 

Para o próximo ano, a projeção para a indústria aponta uma estimativa melhor, de crescimento de 2,45%. As expectativas baixas para 2015 refletem o processo de ajuste em curso pelo governo. 

Marcel Solimeo, economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), afirma que a forma como o ano passado terminou e como este começou – com tarifaço e aumento de impostos – ditam o rumo do que está por vir. 

“Tudo isso influencia o ritmo de crescimento, que esperamos ser próximo de zero, um pouco acima ou abaixo. Se a possibilidade de racionamento se concretizar, seguramente teremos um resultado negativo”, afirma Solimeo. 

Em resumo, o cenário de inflação, juros e impostos mais altos retraem a renda dos consumidores e diminuem o apetite para o investimento. Solimeo lembra que a Petrobras deve puxar boa parte da queda no investimento total neste ano. 

Os reajustes nas tarifas de energia, transportes e combustíveis, que fazem parte do conjunto de preços administrados, também estão pesando fortemente na expectativa de inflação. O Focus já projeta alta de 10% para esse conjunto de itens neste ano.

Para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o Focus subiu a projeção de 7,15% para 7,27% em 2015. Com isso, a expectativa para a taxa básica de juros (Selic), que vinha estável em 12,50% no último mês subiu para 12,75% nesta semana. 

Para a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central (BC), que ocorre nos dias 3 e 4 de março, a expectativa do Focus é de aumento de 0,50 ponto percentual (p.p.) na taxa Selic, que hoje está em 12,25% ao ano.

Antes, os analistas esperavam um ajuste menor, de 0,25 p.p. nesta reunião. A mudança de projeção ocorreu depois de Luiz Awazu, novo diretor de Política Econômica do BC, dizer na Turquia que a política monetária brasileira está especialmente vigilante e que vai trazer a inflação para a meta de 4,5% ao ano em dezembro de 2016.

PRESSÃO DO CÂMBIO

Para Solimeo, além dos preços administrados e de alimentos, também o câmbio pressionará fortemente a inflação. De acordo com o Focus, a projeção para a taxa de câmbio passou de R$ 2,80 para R$ 2,90 ao final de 2015. Para o encerramento de 2016, a expectativa é de R$ 2,93. 

“Um exemplo da influência do dólar na inflação é o comportamento observado no varejo. Muitas redes deixaram de importar produtos e passaram a comercializar o que é produzido no país. No entanto, esses produtos têm preço mais alto que o importado. A taxa de câmbio menor acaba sendo uma proteção para os preços, do ponto de vista da economia”, diz. 

A recomendação para o empresário é que não se deixe levar pelo pessimismo. “Mas é preciso ser realista, principalmente com a política de estoque de produtos. É evitar o excesso e também a atitude de tomar empréstimo com taxa de juro maior. É estar atento e acompanhar”, afirma.

Ele diz que nesse cenário também há oportunidades, principalmente para empresários que produzem produtos que haviam perdido a competitividade com os importados. 

“Com a taxa de câmbio atual, é preciso ficar atento para as oportunidades, principalmente nos setores de vestuário e calçados. O empresário deve encontrar nichos e acompanhá-los bem. O cenário também indica que é preciso procurar formas de reduzir custos para ajustar a empresa ao ritmo da economia”, conclui Solimeo.

* Com informações de Estadão Conteúdo



Com o resultado, o índice medido pela FGV acumulou alta de 6,02% no ano e avanço de 7,05% em 12 meses

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As estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) passaram de retração de 3,49% para queda de 3,43%. Esta estimativa interrompe uma sequência de oito semanas consecutivas de projeções negativas no Relatório Focus

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Entre janeiro e novembro, o índice da Fipe acumulou inflação de 5,78%. Em 12 meses encerrado em novembro, 6,65%

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