São Paulo, 30 de Setembro de 2016

/ Economia

2015 será um ano de desafios para o varejo
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Com ajustes na política econômica, o próximo ano deverá ser de consumo moderado, aperto de crédito e crescimento lento na renda e no emprego

Prepare os cintos porque 2015 será um ano apertado. Esse é o prognóstico mais otimista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) para os comerciantes e empresários do próximo ano. Após um ano de vendas fracas e desânimo no consumo, 2015 ainda será coalhado de ajustes desanimadores, porém necessários, que devem intimidar ainda mais o consumidor.

“Temos uma nítida tendência de desaceleração do crescimento econômico”, afirma Marcel Solimeo, economista-chefe da ACSP. Além do aumento da cautela do consumidor, há que se considerar algumas mudanças que já estão na pauta da política econômica da nova equipe, recém anunciada pelo Governo Federal – e bem recebida pelo mercado. 

MARCEL SOLIMEO, À ESQUERDA, E ROGÉRIO AMATO: O BALANÇO FOI ANUNCIADO EM COLETIVA DE IMPRENSA. Foto: Paulo Pampolin

A Cide (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico) deve voltar aos combustíveis, e a energia elétrica deverá ter um reajuste. A taxa básica de juros também já tem alta prevista, e o dólar não deve dar sossego tão cedo. Tudo isso corroerá uma parte do dinheiro disponível para as compras. “Economia é feita de vasos comunicantes. Uma coisa acontece e afeta todas as outras”, diz. Por isso, Solimeo espera da equipe econômica um ajuste transparente e bem direcionado, sendo brusco ou gradativo. 

Do mercado financeiro, os empresários devem esperar maior rigor para a concessão de crédito. O emprego, por sua vez, já começa a dar sinais de enfraquecimento, bem como a massa salarial. “Só não tivemos desaceleração do emprego e da massa salarial ainda porque a mão-de-obra também vem crescendo lentamente”, diz. 

Na expectativa de Solimeo, o cenário deve começar a dar indícios de reversão a partir do segundo semestre. Até lá, chegaremos ao fundo do poço – ou fundo do vale, como prefere chamar Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP.

 

 

Segundo os números do ACVarejo, no acumulado até o fim de outubro, o faturamento do setor ainda é 2,8% superior ao mesmo período do ano passado.  As vendas, porém, diminuíram 3,3%. É a retomada da confiança do consumidor nos últimos dois meses do ano que sustenta os bons prognósticos de Solimeo e Gamboa.

Para o varejo nacional, Gamboa espera, a partir de março de 2015 um tímido início de recuperação. No Estado de São Paulo, o fundo já está mais próximo e já em fevereiro será possível ver pequenos sinais de melhora, segundo o Índice Antecedente da ACVarejo. “Ainda é cedo para falar em aceleração. Uma parte dessa alta antes do segundo semestre deve vir por ajuste estatístico”, diz Gamboa.

MARCEL SOLIMEO, ECONOMISTA-CHEFE DA ACSP. Foto: Paulo Pampolin

Rogério Amato, presidente da ACSP, no entanto, reitera que não há motivo para desespero. “Já passamos por momentos como esse antes. Temos a chance de nos sairmos melhor dessa vez”, diz. “Grandes fortunas e grandes oportunidades foram criadas em momentos como este.”

NATAL SERÁ TÍMIDO

Como a massa salarial ainda não parou de crescer, os indicadores de movimento no varejo ainda não mostram um um cenário totalmente catastrófico. Mesmo assim, os números são moderados. No acumulado até a primeira quinzena de dezembro, o Indicador de Movimento do Comércio a Prazo  (IMC) mostra um resultado 1,9% positivo – o Indicador de Movimento de Cheques (ICH) não passa dos 2,1% de alta.

Embora tenha se mantido dentro das expectativas, esses números são um claro retrato do resfriamento do varejo. Emílio Alfieri, vice-superintendente técnico do Instituto de Economia “Gastão Vidigal”, da ACSP, lembra que 2013 “foi um desastre completo”. Os protestos de junho forçaram o fechamento do comércio de rua para “evitar quebra-quebra” e outros tumultos. “Chegamos a ter uma redução de 10% no movimento do comércio”, diz Alfieri. 

A boa notícia é que, por ora, a inadimplência continua sob controle. A taxa líquida de inadimplência acumulada fechou novembro em 4,7%, próximo aos mais baixos níveis desde 2009. Na expectativa de Alfieri, o ano deve terminar com uma taxa líquida de cerca de 4,6%. “A propensão é de queda. As famílias estão endividadas, mas cautelosas. Somado a isso, há a maior seletividade do crédito”, afirma o economista. “Se tivermos uma piora dos indicadores de desemprego no ano que vem, essa taxa poderá voltar a subir.”

Até a primeira quinzena de dezembro, o Indicador de Registro de Inadimplência (IRI) somava mostra uma alta de 2,3% frente ao mesmo período em 2013. Porém, o Indicador de Recuperação de Crédito (IRC) aponta uma alta de 2,9% no números de pessoas que saíram da inadimplência nesses 11 meses e meio. “Há mais pessoas saindo da inadimplência que entrando”, diz Alfieri.



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