São Paulo, 23 de Abril de 2017

/ Brasil

Um terço das exportações de carne vai para países que anunciaram embargo
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Até agora, China, Hong Kong, Chile, Egito anunciaram a suspensão da compra de carne proveniente do Brasil. A Coreia do Sul voltou atrás no embargo

Hong Kong, que é um grande importador de carne brasileira, é o mais recente país a proibir a importação de carne.

China, Egito, o Chile, além da União Europeia, anunciaram na segunda-feira medidas para proibir temporariamente as importações do Brasil ou de empresas específicas acusadas pela Polícia Federal de subornar funcionários sanitários por certificados de saúde.

Os EUA e outros países disseram que iriam aumentar as inspeções.

Os países que anunciaram embargo à carne brasileira, juntamente com a União Europeia, responderam por 34,24% das exportações de carne bovina e 20,16% das de frango em 2016. 

China, Chile e Coreia do Sul haviam anunciado a suspensão da compra de carne brasileira e o bloco europeu suspendeu a compra de quatro empresas.

A Coreia do Sul voltou atrás na decisão de banir a importação de frango produzido no Brasil e anunciou nesta manhã (21/03), na abertura do mercado financeiro do país, que retomou as compras da proteína. No entanto, de acordo com o Ministério da Agricultura do país, a fiscalização será intensificada.

De acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras de carne bovina congelada, fresca ou refrigerada somaram US$ 4,344 bilhões no ano passado. 

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Principal importador do produto brasileiro, a China respondeu por 16,71% deste total, com gastos de US$ 702,7 milhões.

A União Europeia comprou 11,24% do total, com gastos de US$ 488,141 milhões. Em seguida está o Chile, que ocupa a nona posição no ranking de compradores de carne em geral e importou 6,81% do total vendido ao exterior (US$ 296 milhões). 

A Coreia do Sul respondeu por apenas 0,01% das exportações de carne bovina, com gastos de US$$ 641 mil.

No caso da carne de frango, o total exportado em 2016 foi de US$ 5,946 bilhões. 

A China sozinha comprou 14,45% do total, com gastos que somam US$ 859,482 milhões. Já a Coreia do Sul foi responsável por 2,85% das exportações do produto (US$ 165,565 milhões). O bloco europeu comprou 1,97% do total (US$ 117,082 milhões) e o Chile respondeu por apenas 0,88% do total (US$ 52,470 milhões).

EGITO

O Egito suspendeu temporariamente as importações de carne de frango e outras carnes do Brasil. Autoridades do Egito enviaram perguntas à embaixada do Brasil no Cairo e aguardam respostas para decidir quais medidas tomar.

Além disso, na Finlândia, a autoridade local de segurança alimentar disse que iniciou sua própria investigação sobre o assunto.

EXPORTAÇÕES DE 21 FRIGORÍFICOS SUSPENSAS 

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse que seria um desastre a restrição à carne brasileira pelo mercado internacional. 

“Quem vende para Europa vende para muitos países que, muitas vezes, nem pedem fiscalização nossa, pois sabem que temos um sistema bom. Eu torço, eu rezo, eu penso, eu trabalho para que isso não venha a acontecer”, disse o ministro.

Ele anunciou a suspensão da licença de exportação de 21 plantas de frigoríficos sob investigação na operação, mas afirmou que continuará a permitir a venda dos produtos no mercado interno. 

Maggi destacou que as medidas dentro do país são mais brandas porque há controle rígido dos procedimentos, com base na legislação, que protege o consumidor brasileiro. “No mercado interno, a gente tem mais controle”, afirmou.

Segundo o ministro, a preocupação com mercado externo se deve à dificuldade de reabertura caso haja alguma medida mais rígida.

“Uma vez que haja o fechamento de um mercado desses, para reabrir serão muitos anos de trabalho. A nossa preocupação neste momento é não deixar sem resposta todos os pedidos de informação que o mercado internacional está nos pedindo”, disse.

IMAGEM: Thinkstock



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