São Paulo, 06 de Dezembro de 2016

/ Brasil

Taxa de desemprego cresceu 7,4% até fevereiro
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Levantamento do IBGE também apurou que a população que está na fila do emprego somou 778 mil pessoas, número 11,7% superior ao do mesmo período de 2014

A taxa de desemprego medida pela Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua ficou em 7,4% no trimestre até fevereiro, o que representou aumento em relação a fevereiro de 2014, quando estava em 6,8%, apurou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O cálculo é realizado em trimestre móvel, pois a metodologia de coleta e cálculo da pesquisa impede isolar os dados apenas de um mês. 

Especialistas observam uma tendência de aumento do desemprego nos próximos meses por causa do maior número de pessoas que procuram um posto de trabalho. O que deverá levar a isso será a diminuição da renda das famílias, por causa da inflação alta e do esfriamento da economia neste ano. 

Para o trimestre encerrado em fevereiro, a renda média real do trabalhador foi de R$ 1.817. O valor é 1,1% superior ao de igual período de 2014.

Já a massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 162 bilhões, alta de 2,2% na mesma base de comparação. A série histórica da pesquisa com resultados para trimestres encerrados mês a mês teve início em janeiro de 2012.

A procura por trabalho aumentou no trimestre encerrado em fevereiro, mas parte desse contingente não conseguiu uma vaga.

O levantamento do IBGE mostra que, no período acima, a população na força de trabalho aumentou 1,6% em relação a igual período de 2014, o que significa 1,596 milhão de pessoas a mais.

Porém, a população desocupada foi engrossada por 778 mil pessoas, alta de 11,7% em relação ao trimestre até fevereiro de 2014.

"A pressão sobre o mercado de trabalho do lado da procura está muito mais forte (em relação a 2014). Embora tenham sido gerados postos de trabalho, isso foi inferior ao crescimento da população desocupada. A geração de vagas não foi suficiente para conter a elevação da taxa de desocupação", afirma Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

O emprego também aumentou no período. Ao todo, 818 mil pessoas conseguiram trabalho no trimestre até fevereiro deste ano, alta de 0,9% em relação a igual período de 2014.

Mas o nível da ocupação caiu para 56,4%, 0,6 ponto porcentual a menos na mesma base de comparação. Já a inatividade subiu 2,4% no período, com 1,504 milhão de pessoas a mais, segundo o IBGE. A Pnad Contínua analisa a população de 14 anos ou mais.

TENDÊNCIA DE ALTA

A taxa de 7,4% do desemprego reflete uma tendência de elevação na desocupação, na avaliação de Azeredo, do IBGE. A dispensa de trabalhadores temporários pode ser um dos fatores por trás desse aumento.

Para o economista Marcel Caparoz, da RC Consultores, a tendência é de mais deterioração do emprego. Para o ano que vem, a seguir o ritmo atual de desemprego, a taxa deverá subir para 8%, segundo o economista.

"A renda das famílias está diminuindo e as pessoas que estavam entrando no mercado de trabalho mais velhas passaram a procurar emprego", diz.

Segundo Caparoz, um exemplo que ilustra bem a tese é a comparação do total de vagas abertas em 2010, de 2,4 milhões, com o total de novos postos de trabalho abertos no ano passado de apenas cerca de 400 mil, segundo o Caged (Cadastro Geral de Emprego e Desemprego). 

"São mais pessoas disputando um número de vagas bem menor", diz, reiterando que esta dinâmica tende a piorar já que tudo indica que a renda das famílias vai apertar ainda mais daqui para frente.

Caparoz reconhece que não se pode desconsiderar as influências sazonais que a taxa de desemprego no trimestre terminado em fevereiro carrega. 

Por outro lado, de acordo com ele, não se pode também desconsiderar que de dezembro de 2013 a fevereiro de 2014 a taxa de desemprego subiu 0,6 ponto porcentual de 6,8% para os atuais 7,4%. 

"A seguir neste mesmo ritmo, a taxa de desemprego no trimestre terminado em fevereiro de 2016 irá para 8%", afirma. Para ele, o melhor momento para o emprego foi 2014, já que em 2012 a taxa de desemprego foi de 7,8%, em 2013 de 7,7%.

 



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