São Paulo, 29 de Setembro de 2016

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Renda média cai 1,8% e compromete poder de compra na Grande São Paulo
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Pesquisa do Seade/Dieese revelou também que a renda média real dos assalariados, por sua vez, caiu 1,5% no período, para R$ 1.914

A queda do rendimento médio real dos trabalhadores na RMSP (Região Metropolitana de São Paulo) deve afetar diretamente o comércio nos próximos meses. Marcel Solimeo, economista-chefe da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), diz que o dado é consequência do aumento de desempregados.

“Na medida em que os salários sobem menos que os preços, automaticamente, se reduz o poder de compra e o comércio é afetado. Ainda mais com uma inflação sobre produtos de uso essencial, como alimentos e contas domésticas”, afirma o economista. 

De acordo com a PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego), divulgada nesta quarta-feira (27/05) pela Fundação Seade e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o rendimento médio real dos trabalhadores caiu 1,8%, na RMSP, chegando a R$ 1.893, em março ante fevereiro. 

A renda média real dos assalariados, por sua vez, caiu 1,5% no período, para R$ 1.914. De acordo com o Seade e o Dieese, essa diminuição do rendimento médio real provocou retração das massas de rendimentos. Na passagem de fevereiro para março, a massa de rendimentos dos ocupados caiu 2%, enquanto a dos assalariados recuou 1,9%.

Na comparação com março de 2014, as quedas dos rendimentos médios reais dos ocupados e dos assalariados foram ainda maiores, de 8,7% e 8,1%, respectivamente. Com isso, as massas de rendimentos de ambos também recuaram mais intensamente: -8,7 e -7,7%, nesta ordem. Segundo o Seade e o Dieese, nos dois casos, as quedas decorreram sobretudo de reduções dos rendimentos médios reais.

Para Solimeo, o movimento de queda é uma tendência natural decorrente do índice de desemprego. Ele explica que o mercado também se adapta rapidamente a conhecida lei da oferta e da procura, ou seja, os novos trabalhadores passam a ser contratados com salários mais baixos. 

“Com a queda do emprego, os salários são automaticamente afetados. Além disso, o poder de negociação do reajuste fica limitado e com esse cenário, os empregadores conseguem contratar novos funcionários por um valor mais baixo”, diz.

De acordo com o economista, essa tendência deverá ser mantida nos próximos meses. ”O mercado de trabalho está implodindo. Esses dados também são reflexos do aumento do salário mínimo, que esse ano foi inferior aos 14% do ano passado.”

* Com Estadão Conteúdo

* Foto: Thinkstock



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