São Paulo, 23 de Maio de 2017

/ Brasil

Lava Jato chega ao BNDES; PF deflagra operação Bullish
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O principal alvo da operação é a empresa JBS, dos empresários Joesley e Wesley Batista e envolve suspeita de fraude bilionária. O ex-ministro Antonio Palocci também é investigado

A Polícia Federal faz buscas na empresa e leva coercitivamente para depor pessoas envolvidas nos aportes bilionários que o Banco Nacional de Desenvolvimento, o BNDES, realizou para que as empresas da família Batista se tornassem a maior produtora e comercializado de proteína animal do mundo.

Segundo a PF, os aportes do banco público foram realizados após a contratação de empresa de um político. Por conta disso, as operações de desembolso dos recursos públicos teriam tido tramitação recorde.

O BNDESPar tem mais de 581 mil ações da JBS, ou cerca de 21% em participação na empresa.

Segundo a PF, os aportes, realizados a partir de junho de 2007, tinham como objetivo a aquisição de empresas também do ramo de frigoríficos no valor total de R$ 8,1 bilhões.

Nesse período, os principais investimentos do banco público tiveram como objetivo apoiar a expansão da JBS. Um dos maiores aportes foi utilizado para a compra de R$ 3,5 bilhões em debêntures para fortalecer o caixa da empresa com a compra da americana Pilgrim’s e com a incorporação da Bertin S.A.

A Polícia Federal cumpre, na manhã desta sexta-feira (12/05), 37 mandados de condução Coercitiva e 20 de mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Bullish.

Segundo a PF, os repasses foram realizados após a contratação de empresa de consultoria ligada a um parlamentar à época e as operações de desembolso dos recursos públicos tiveram tramitação recorde.

Essas transações foram executadas sem a exigência de garantias e com a dispensa indevida de prêmio contratualmente previsto, gerando um prejuízo de aproximadamente R$ 1,2 bilhão aos cofres públicos.

São cumpridos nesta sexta 37 mandados de condução coercitiva (30 no Rio de Janeiro e 7 em São Paulo) e 20 de mandados de busca e apreensão (14 no Rio e 6 em São Paulo), além de medidas de indisponibilidade de bens de pessoas físicas e jurídicas que participam direta ou indiretamente da composição acionária do grupo empresarial investigado, até o limite do prejuízo gerado ao erário.

Os controladores do grupo estão proibidos, ainda em razão da decisão judicial, de promover qualquer alteração societária na empresa investigada e de se ausentar do País sem autorização judicial prévia. A Polícia Federal monitora cinco dos investigados que encontram-se em viagem ao exterior.

BULLISH

O nome da operação (que quando usado no mercado de ações pode ser traduzido como "em alta", numa tradução livre) adveio da tendência de valorização gerada entre os operadores do mercado financeiro em relação aos papéis da empresa, para a qual os aportes da subsidiária BNDESPar foram imprescindíveis.



A operação, batizada de Rei Leão, desarticulou um esquema de fraudes promovido por pessoas físicas e jurídicas

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Os irmãos Joesley (na foto) e Wesley Batista também estão proibidos de promover qualquer mudança estrutural nas empresas do grupo J&F Investimentos, alvo da Operação Bullish, da Polícia Federal

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O desaquecimento da economia foi um dos fatores pontuados por representantes da instituição para justificar as perdas

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