São Paulo, 09 de Dezembro de 2016

/ Brasil

Emprego formal recua em 5%, diz o IBGE
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O número de pessoas que passou a trabalhar por conta própria avançou no trimestre até abril. Houve queda paralela de 1,5% entre os trabalhadores com carteira assinada

A taxa de desemprego medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) ficou em 8,0% no trimestre até abril, o que representou aumento em relação a igual período de 2014, quando estava em 7,1%, informou nesta quarta-feira (3/6) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

No período, a renda média real do trabalhador foi de R$ 1.855,00. O valor é 0,4% menor do que em igual período de 2014. Já a massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 165,5 bilhões, alta de 0,4% na mesma base de comparação.

O IBGE apresenta o cálculo em trimestre móvel, pois a metodologia de coleta e cálculo da pesquisa impede isolar os dados apenas de um mês.

No trimestre até abril deste ano, a população na força de trabalho avançou 1,6% em relação a igual período de 2014, o que representa 1,614 milhão de pessoas em atividade a mais no intervalo de um ano. 

Desse contingente, porém, 629 mil conseguiram um emprego, o que representou um aumento de 0,7% na população ocupada.

A população desocupada, por sua vez, aumentou 14,0% na comparação com o trimestre até abril do ano passado. Isso significa 985 mil pessoas a mais na fila por uma vaga.

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O resultado reflete, sobretudo, a geração de vagas insuficiente para absorver o contingente de pessoas que passou a procurar emprego, afirmou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE."A geração de vagas reduziu o ritmo de alta, enquanto o número de pessoas buscando trabalho aumentou", explicou Azeredo. 

Ao todo, a população na força de trabalho (que está trabalhando ou se dispõe a procurar um emprego) aumentou 1,6% no mesmo intervalo, o que significa 1,614 mil pessoas a mais em atividade. Contudo, apenas 629 mil encontraram emprego, segundo o IBGE.

“Isso é reflexo daquilo que aconteceu com o PIB. Se não gera trabalho, se a produção reduz, a consequência é essa", disse Azeredo. O PIB brasileiro recuou 0,2% no primeiro trimestre em relação aos três últimos meses de 2014. 

INFORMALIDADE

O emprego com carteira de trabalho no setor privado recuou 1,5% no trimestre até abril deste ano em relação a igual período de 2014, o que significa um corte de 552 mil vagas formais.

O emprego sem carteira também diminuiu no período, com queda de 3,7%. Ou seja, 384 mil postos nesta posição foram extintos. "Houve perda de emprego, e pessoas que precisavam de um trabalho imediato acabaram atuando por conta própria, seguindo o caminho da informalidade", disse Azeredo.

O emprego por conta própria foi engrossado por um contingente de 1,024 milhão de pessoas. A diferença representa alta de 4,9% no período. "Parte expressiva de quem trabalha por conta própria está no emprego informal. Pode ser aquele cara que trabalha na praia vendendo lanche", explicou Azeredo.

SETORES

O setor da construção demitiu 609 mil trabalhadores no trimestre até abril de 2015, uma queda de 7,6% no nível de emprego em relação a igual período de 2014, mostram os dados do IBGE. "A construção apresenta uma mudança de patamar importante, abaixo do anterior. Faz sentido com a crise econômica", afirmou Azeredo, 

A indústria, por sua vez, gerou 222 mil vagas no período, alta de 1,7% no nível de emprego ante o trimestre até abril de 2014. "A indústria apresenta recuperação, mas o aumento não é significativo", disse.

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A administração pública, por sua vez, extinguiu 560 mil postos, recuo de 9,5% no trimestre até abril ante igual período do ano passado. "Não conseguimos abrir para entender em que ponto da administração ocorreu isso", ponderou o coordenador.

A geração de vagas foi mais intensa nos serviços prestados às empresas, em que 658 mil pessoas foram contratadas. O resultado representa alta de 6,7% em relação ao trimestre até abril de 2014.

*Com informações do Estadão Conteúdo

Fotos: Estadão Conteúdo



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