São Paulo, 25 de Setembro de 2016

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Emprego formal perde em abril 97,8 mil postos de trabalho
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Segundo o Ministério do Trabalho, indústria de transformação foi a responsável pelo maior número de fechamento de vagas formais, e a agricultura, o único setor com cenário positivo

O Caged (Cadastro-Geral de Empregados e Desempregados) registrou um declínio de 0,24% no estoque de empregos formais no país, em abril. O número representa uma redução de 97.828 postos de trabalho, resultado de 1.527.681 admissões contra 1.625.509 desligamentos.

O número, compilado pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), é o pior da série histórica, iniciada em 1992.

O anúncio foi feito pelo ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, em Florianópolis (SC). Ele procurou temperar a atual tendência, que é muito negativa para o governo, ao afirmar que o país gerou 5,1 milhões postos de emprego formal desde 2011, e nos últimos 12 anos foram acrescidos 20.5 milhões de postos de trabalho. Em abril de 2014, o saldo foi positivo, com 105.384 vagas.

Ao anunciar os dados, Dias acentuou que o Portal Mais Emprego do MTE tornou disponível, desde o início do ano, 700 mil vagas de emprego, e que pelo menos 200 mil dessas oportunidades foram preenchidas por trabalhadores que buscaram vagas pelo sistema. 

Segundo ainda o ministro, o país vive uma crise política,e a percepção de grave crise afeta as empresas, que ficam num compasso de espera. “Quem pretende empreender, desiste e não contrata, o que se reflete no mercado de trabalho”, afirmou. 

O ministro diz que com o ajuste fiscal e com os cortes que estão sendo anunciados, o governo está criando condições para que haja estabilidade econômica e o país volte a níveis de emprego como o de antes da crise política.

Dias também argumentou que, ao contrário do que acontecia nos anos 80 e 90, não há a seu ver impacto dessa crise na informalidade, que permanece estável.

“Estamos avançando com nosso programa de combate à informalidade, que busca legalizar 400 mil trabalhadores e elevar a arrecadação em R$ 2,6 bilhões. Temos boas perspectivas de investimentos, que devem ajudar na geração de empregos”, avaliou.

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INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO

Refletindo o cenário de deterioração da economia, a indústria de transformação foi a responsável pelo maior número de fechamento de vagas formais de trabalho, em abril. No total, foram fechados 53.850 postos no setor, resultado de 267.759 admissões e 321.609 desligamentos no período.

Em segundo lugar como destaque negativo, a construção civil reduziu 23.048 postos, com 163.471 admissões e 186.519 demissões. O comércio fechou 20.882 vagas e o setor de serviços encerrou 7.530 empregos no mês. O único setor com saldo positivo em abril foi a agricultura, com 8.470 novas vagas.

EMPREGO GEOGRÁFICO 

Entre as Unidades da Federação, cinco elevaram o nível de emprego formal: Goiás (+2.285 postos), Distrito Federal (+1.053 postos), Piauí (+612 postos), Mato Grosso do Sul (+369 postos) e Acre (+95 postos).

Os estados onde o recuo foi mais acentuado foram Pernambuco (-20.154 postos) e Alagoas (-13.269 postos), cujos declínios foram influenciados, em grande medida, pelo desempenho do subsetor de produtos alimentícios, relacionado às atividades de fabricação de açúcar em bruto; e no Rio de Janeiro (-12.599 postos), resultado ligado ao setor de serviços e à indústria de transformação. Em São Paulo, a redução foi de 11.076 postos, principalmente pela queda no comércio. 

SALÁRIOS

Na avaliação de André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, o saldo do emprego formal veio em linha com o objetivo implícito do governo de mexer nos salários.

Não é de agora que o economista defende que o mercado de trabalho, em especial os salários, formam uma das principais variáveis do ajuste econômico. "É claro que o governo não vai admitir isso explicitamente, mas ao reduzir o mercado de trabalho ele consegue mexer nos salários. Essa é a forma de se ajudar no processo de arrefecimento da inflação para levá-la ao centro da meta em 2016", diz. 

Perfeito lembra que o Caged está reproduzindo o que a PME (Pesquisa Mensal de Emprego) do IBGE já havia mostrado no mesmo mês do ano passado, quando a taxa de desemprego subiu de 6,20%, em março, a 6,40%. Para o economista, dependendo de quanto o mercado de trabalho ajudar na redução da inflação, talvez, o ajuste da economia possa ser um pouco menos rigoroso.

BASTANTE NEGATIVO

O economista-sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano, diz que o fechamento de 97.828 postos em abril é um resultado "bastante negativo" e impressiona pela intensidade. "Mostra que há uma intensificação do ajuste no mercado trabalho, o movimento em si era esperado, mas surpreende pela intensidade."

Segundo o economista, o processo de alta no desemprego vai ajudar no processo "de correção do desequilíbrio da inflação". "Uma parcela é A inflação de serviços que era resultado de mercado de trabalho em patamares elevados. Ou seja, está havendo um ajuste", diz.

Para Serrano, o processo de queda no rendimento real também reforça esse cenário de correção de inflação. "É a parte dolorosa, infelizmente." Além disso, ele destaca que a queda no emprego terá como reflexo a desaceleração do consumo.

Nas estimativas do economista, o desemprego deve caminhar para a faixa dos 7%. "Esperávamos esse patamar no ano que vem, mas pode ser até neste ano, caso continue essa intensidade", afirmou.

*Foto: Itaci Batista/Estadão Conteúdo



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