Brasil

"Em São Paulo pagamos muito e recebemos pouco"


Empresários como o corretor George Abraham Ayoub (foto) esperam da próxima gestão municipal uma cidade mais planejada


  Por Wladimir Miranda 11 de Agosto de 2016 às 20:00

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


“Tudo está muito caro. São Paulo é uma cidade muito cara. Pagamos muito e recebemos pouco. O nível do que nos é oferecido em termos de transporte, segurança, saúde, limpeza e saneamento básico é ruim. Não pode continuar como está. Tem de melhorar”, afirma o empresário George Abraham Ayoub, dono de corretora que convive de perto com os problemas da cidade. 

E a voz dele, que clama por uma cidade planejada, faz coro com a dos empresários da zona Norte da cidade.

“Estamos atrasados 40 anos, no mínimo. Vivemos em uma cidade mal iluminada, suja, com árvores caindo. É só passar pelas ruas para notar um número grande de moradores em situação de rua. Os assaltos são constantes, e o número de pessoas que se drogam aumenta todos os dias”, disse.

Aos 59 anos, George é morador antigo na Zona Norte e atuante nos trabalhos para a comunidade. É diretor do Clube Esperia, tradicional poliesportivo, às margens do Rio Tietê. Integra a diretoria da Sociedade Amigos do Centro de Preparação de oficiais da Reserva (Soami-Cpor/SP), do Exército Brasileiro.

Foi em 1970 que o adolescente George desembarcou em São Paulo, com os pais. Vinha de Nova Iorque, onde nasceu e foi criado. O país vivia tempos difíceis na política, em plena vigência do Regime Militar. Mas o povo comemorava nas ruas o tricampeonato mundial de futebol, conquistado no México pela Seleção Brasileira de Pelé e companhia.

Os planos iniciais da família Ayoub previam uma curta permanência por aqui, mas o que era para ser um passeio transformou-se em morada. Para sempre.

O imberbe George, com então 15 anos, seguiu o percurso normal de todos os jovens brasileiros. Após concluir o primário (atual ensino fundamental), terminou o ginasial (hoje ensino médio) e conseguiu realizar o sonho de cursar uma faculdade de economia. Formado, iniciou a vida profissional como auditor de agências bancárias.

Foi funcionário do Banco Auxiliar de São Paulo, Itaú Seguros e Sul América. Depois dessas experiências, já havia feito a sua opção de carreira. Seria corretor de seguros.

É dono da Sheik Corretora de Seguros, na Vila Paulicéia, Zona Norte. E também Diretor-superintendente da Distrital Norte da Associação Comercial de São Paulo – ACSP. A empresa, com oito funcionários, teve uma queda de movimento nos últimos dois anos por conta da crise econômica

“A crise econômica afetou o comércio. O meu negócio depende muito do movimento no varejo”, disse George.

George olha com muita expectativa o processo que vai resultar na eleição de vereadores e do prefeito de São Paulo, em outubro deste ano. Tem uma visão crítica em relação ao que está sendo feito na política nacional, nas esferas municipal, nacional e federal.

“Faço restrições aos governos municipal, estadual e federal. A maioria dos brasileiros sabe o que está acontecendo na política federal, no executivo e no legislativo. Faço ressalvas ao trabalho do Governo Estadual. A última obra importante feita na Zona Norte pelo Governo Estadual foi a desativação da Penitenciária do Carandiru, em 2002. Quanto à prefeitura, a única melhoria que fez na região foram as obras na Av. Luís Dumont Villares”, afirma ele.

O contato diário com a comunidade da região dá a George a certeza de que o que os governantes, em todos os níveis, fazem para a população está muito aquém do esperado.