Doria sobe dois novos degraus na candidatura ao Planalto


Prefeito de São Paulo disse pela primeira vez que PSDB escolherá o candidato em melhor posição no eleitorado. PMDB também começou a levar em conta a candidatura dele


  Por João Batista Natali 16 de Maio de 2017 às 15:50

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A candidatura de João Doria à Presidência da República subiu dois novos degraus a partir desta segunda-feira (15/05).

O primeiro degrau foi por iniciativa do próprio prefeito de São Paulo. Em Nova York, onde se encontra para receber o título de “personalidade do ano”, da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, ele deixou de lado a reafirmação de que seu candidato seria seu padrinho político, Geraldo Alckmin.

Disse pela primeira vez, segundo a Folha de S. Paulo, que “será candidato aquele que tiver melhor posição perante a opinião pública”. Segundo o Datafolha de abril, ele já tem 11%, contra 8% para o governador de São Paulo. E afirmou na terça-feira (16/05) que será candidato pelo PSDB quem vencer as prévias internas, colocando-se, potencialmente, como concorrente do governador paulista.

O segundo degrau está no PMDB, partido fundamental para qualquer ambição à Presidência. E foram sinais ambíguos, que de qualquer modo colocavam Doria no centro do tablado.

Em Brasília, Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil, disse que os peemedebistas poderiam concorrer ao Planalto, em 2018, com candidatura própria.

Mas há nessa postura dois senões, assinalados pelo bem informado site O Antagonista.

Padilha pode estar dando uma piscadela para os peemedebistas do Congresso, hesitantes em apoiar as reformas Trabalhista e da Previdência.

Como pode, também, dar uma outra piscadela na direção de Doria, caso ele seja descartado pelo partido dele, o PSDB.

De mais concreta, no entanto, a informação importante veio do PMDB paulista. Dirigentes do partido em São Paulo acreditam – e a informação saiu também na Folha de S.Paulo – que poderão apoiar a candidatura presidencial do prefeito, desde que ele, em troca, trabalhe pela eleição ao governo do Estado de Paulo Skaf, o peemedebista presidente da Fiesp.

Caso Doria concorra à sucessão de Alckmin, o partido abriria mão de Skaf, que não teria mais, segundo os peemedebistas, a mínima chance eleitoral.

O PESO DO FATOR LULA

Nesse jogo formatado por hipóteses realistas, Doria passou a voar taticamente por conta própria nos últimos dias da semana anterior, impactada pelo depoimento de Luís Inácio Lula da Silva perante o juiz Sergio Moro.

Contrariando o sentimento de conteúdo emocional do eleitorado tucano, que se sentiria feliz com a prisão de Lula, Doria se exprimiu com uma lógica só dele.
 
Disse que preferia ver Lula solto, porém derrotado nas urnas de 2018. Faz sentido. O ex-presidente, nessa circunstância, derreteria como liderança nacional e, aos 73 anos, a serem completados no mesmo mês de outubro do primeiro turno, seria um protótipo do fracasso em fim de carreira.

Para enfrentá-lo nas urnas, Doria pretende contar com o PMDB, é lógico, mas também com o DEM e com o PSD.

A outra alternativa com Lula no centro do enredo estaria na prisão dele, o que o transformaria em herói petista, próximo à canonização.

O Partido dos Trabalhadores, no caso, ganharia até um fôlego para carimbar algum outro candidato presidencial do partido.

HADDAD COMO PLANO B

Esse chamado “plano B” está por enquanto dividido entre o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, um veterano da militância da esquerda, e Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo e uma “cara nova” para os eleitores de outros Estados, que o conheceram como ministro da Educação da era petista.

Haddad não apenas está à disposição do partido, como se diz eufemicamente sobre os jovens ambiciosos, como também já teria tido encontros para esboçar sua penetração no Nordeste, onde a rejeição a Lula é mais baixa, e são mais concretos os efeitos eleitorais e fisiológicos de políticas sociais como o Bolsa Família.

Todo esse quadro vai virar de ponta-cabeça caso Alckmin consiga se manter à tona. Ele por enquanto está machucado pela revelação de diretores da Odebrecht, de que recebeu R$ 10,7 milhões de caixa dois nas eleições de 2010 e 2014, em suas duas últimas eleições para governador.

Coincidência ou não, os dois principais jornais de São Paulo trouxeram nesta terça (16/05) entrevistas de alckmistas que argumentam que o governador ainda está perfeitamente em pé.

FOTO: Rovena Rosa/Agência Brasil