São Paulo, 09 de Dezembro de 2016

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Desemprego no mês de maio é recorde em cinco anos
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O emprego com carteira recuou 1,8% ante o mesmo mês de 2014, uma redução de 213 mil vagas formais, revela o IBGE

A taxa de desemprego de 6,7% registrada no mês passado é a maior para o mês desde 2010, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Naquele ano, a taxa de desocupação ficou em 7,5% em maio.

A massa de renda real habitual dos ocupados no país somou R$ 48,9 bilhões em maio, queda de 1,8% em relação a abril. Na comparação com maio de 2014, o montante diminuiu 5,8%.

O rendimento médio real do trabalhador, já descontados os efeitos da inflação, foi de R$ 2.117,10 O resultado significa queda de 1,9% em relação a abril e recuo de 5,0% ante maio de 2014.

O contingente de pessoas com carteira assinada diminuiu 1,5% na média de janeiro a maio deste ano em relação a igual período de 2014.

Com isso, 181 mil pessoas perderam o emprego formal no período. "Desde 2004 não havia redução no emprego com carteira assinada para a média de janeiro a maio", afirma Adriana Beringuy, técnica da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Naquele ano, mesmo assim, a redução foi de aproximadamente 3 mil vagas formais. "São menos pessoas com as prerrogativas que o emprego com carteira oferece, como seguro-desemprego, fundo de garantia", acrescentou Adriana.

O emprego com carteira recuou 1,8% ante maio de 2014, uma redução de 213 mil vagas formais.

O fechamento de postos na indústria é o principal culpado, responsável por 116 mil vagas. "A redução do emprego com carteira vem da indústria, da construção e dos outros serviços, que são setores que vêm tendo mais perda de emprego", explica.

Por outro lado, o emprego por conta própria segue crescendo. Na média de janeiro a maio, a alta foi de 2,5%, uma diferença de 108 mil pessoas. "Boa parte dos empregos por conta própria é de pessoas ligadas a comércio ambulante, pedreiros autônomos", diz a técnica.

PRESSÃO

Segundo Adriana, a queda nos rendimentos dos trabalhadores tem levado mais pessoas a procurar emprego e, com isso, há mais gente pressionando o mercado de trabalho.

Essa pressão, no entanto, não tem se convertido em criação de vagas. Pelo contrário. A destruição de postos de trabalho tem feito crescer ainda mais a fila do desemprego.

"A população economicamente ativa cresceu, e isso está indo sobretudo para a população desocupada. Além disso, você tem dispensa de pessoas", diZ.

Ainda que a população ocupada esteja diminuindo, segundo Adriana, ela não exerce maior pressão para que taxa (de desemprego) suba, avaliou a técnica do IBGE. A parcela mais expressiva dessa pressão, segundo ela, vem do aumento da população economicamente ativa, que reflete a maior busca por trabalho. Sem encontrar vagas, essas pessoas engrossam a população desocupada.

No ano passado, a população (ativa) tendia a diminuir, pois a inatividade estava absorvendo muitas pessoas. Elas não procuravam trabalho porque não queriam fazê-lo naquele momento.

"O que se mostra agora é um crescimento menor da inatividade e o que tem a ver com esses fatores apontados é a variação do rendimento", disse Adriana. "Há mudança de movimento, que passou de queda da desocupação para aumento, e aumento em porcentuais elevados", acrescentou.

O aumento de 38,5% no contingente de desocupados em maio em relação a maio de 2014 é o maior já registrado na série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Por causa dessa alta, 454 mil pessoas entraram na fila do desemprego.



No ano, a produção da indústria acumula queda de 7,7%. Em 12 meses, o recuo é de 8,4%, de acordo com levantamento do IBGE

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