São Paulo, 04 de Dezembro de 2016

/ Brasil

Delator cita repasses às campanhas de Lula e Dilma
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Segundo "Veja", depoimento de Ricardo Pessoa na Lava Jato aponta dois ministros de Estado, o prefeito Fernando Haddad, cinco senadores, um ex-senador e três deputados

A delação premiada do dono da UTC, Ricardo Pessoa, traz menção a pelo menos 16 pessoas e duas campanhas presidenciais: da presidente Dilma Rousseff de 2014 e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de 2006.

O empreiteiro relatou à Procuradoria-Geral da República (PGR) como o dinheiro desviado da Petrobras financiou as campanhas eleitorais dos políticos citados.

Pessoa aponta, segundo divulgou a revista "Veja", o nome de dois ministros de Estado - Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Comunicação Social) -, do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, de cinco senadores, um ex-senador e três deputados.

Aparecem ainda os nomes do ex-ministro José Dirceu, condenado no processo do mensalão; do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto; do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado e do secretário de Saúde de São Paulo, José de Filippi.

Dentre os nomes citados, sete já são investigados por suposto envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras com base nas delações do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa.

A revista aponta que os depoimentos do empreiteiro destacam a doação de R$ 7,5 milhões à campanha da presidente Dilma Rousseff de 2014, que teve o ministro Edinho Silva como tesoureiro, e R$ 2,4 milhões destinados à campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de 2006.

De acordo com a publicação, a delação conta com 40 anexos com planilhas e documentos. Pessoa apontou ainda o repasse de R$ 250 mil a Mercadante; de R$ 15 milhões a Vaccari Neto e de R$ 3,2 milhões a Dirceu. O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), recebeu R$ 2,6 milhões e o secretário de saúde do petista, R$ 750 mil.

Entre os parlamentares, Pessoa citou os repasses de R$ 20 milhões ao senador Fernando Collor (PTB-AL); de R$ 1 milhão ao senador Edison Lobão (PMDB-MA); de R$ 5 milhões ao ex-senador Gim Argello (PTB-DF); de R$ 2 milhões ao senador Ciro Nogueira (PP-PI); de R$ 200 mil ao senador Aloysio Nunes (PSDB-SP); de R$ 400 mil ao senador Benedito de Lira (PP-AL); de R$ 1 milhão ao deputado Arthur Lira (PP-AL); de R$ 150 mil ao deputado Júlio Delgado (PSB-MG); de R$ 300 mil ao deputado Eduardo da Fonte (PP-PE). O ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, recebeu R$ 1 milhão, segundo a lista publicada pela revista.

REUNIÃO DE EMERGÊNCIA
Após reunião emergencial com a presidente Dilma Roussef, neste sábado, antes de embarcar para a viagem oficial aos Estados Unidos, os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Edinho Silva (Secretaria de Comunicação Social) trataram dos desdobramentos da operação Lava Jato divulgados pela revista "Veja". 

Em entrevista coletiva ao lado do ministro da Justiça, o ministro Edinho criticou o que chamou de "vazamentos seletivos" do depoimento do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC. Tesoureiro da campanha pela reeleição de Dilma, o ministro afirmou ter recebido autonomia da presidente para se defender. Ele declarou “indignação pela construção da tese de criminalização, também seletiva, das doações da nossa campanha, quando outras campanhas também receberam doações semelhantes, com o mesmo caráter". 

Durante a reunião de uma hora e meia para tratar do assunto, a presidente determinou a permanência no país do ministro Aloizio Mercadante, da Casa Civil. Ele participaria da comitiva que embarcou para a visita aos Estados Unidos. 

 



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