São Paulo, 29 de Maio de 2017

/ Brasil

China volta a importar carne brasileira
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Para o ministro Blairo Maggi, a reabertura do mercado brasileiro é um atestado da solidez do sistema sanitário do Brasil

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento confirmou que a China irá retomar a importação das carnes brasileiras, que eram alvo de embargo desde a última segunda (20/03), devido às fraudes no setor descobertas pela Operação Carne Fraca.

O ministério informou em nota assinada pelo ministro Blairo Maggi, que a reabertura ao mercado brasileiro é um atestado categórico da solidez e qualidade do sistema sanitário brasileiro e da vitória da capacidade exportadora do país.

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 "A China nunca fechou o mercado aos nossos produtos, mas apenas tomou medidas preventivas para que tivéssemos a oportunidade de oferecer todas as explicações necessárias e garantir a qualidade da nossa inspeção sanitária", disse.

Ele avaliou que essa decisão é um ponto de inflexão na crise aberta, após as revelações da operação Carne Fraca, da Polícia Federal.

Segue a breve entrevista concedida com exclusividade ao Estado.

Estado - Ministro, a China reabriu para o Brasil com restrições?

Maggi - A única restrição que vamos ter lá é o SIF 530 (planta da JBS na Lapa, Paraná). E também algumas cargas que foram assinadas por essas pessoas que estão sendo investigadas. São sete fiscais que têm problema, e todas as cargas que eles assinaram estão suspensas. O resto está liberado.

Estado - Chegamos a um ponto de inflexão?

Maggi - Chegamos. Aquela era uma batalha bem importante. Acho que Hong Kong, como é um entreposto, tem muito mercado com China. Se China nos liberou, não tem porque eles nos manterem (suspensos) lá. Foi importante todo o trabalho que foi feito esta semana.

Estado - E agora?

Maggi - Respiro aliviado. Vamos atrás dos mercados que ainda não retomaram. Vamos dar uma atenção especial a todos eles.

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OUTROS MERCADOS

O Ministério da Agricultura esclareceu neste sábado (25/03), por meio de sua assessoria, que a reabertura da China à carne brasileira só não vale para os 21 frigoríficos sob suspeita, que estão sendo investigados pela Carne Fraca da Polícia Federal.

Além disso, a pasta lembrou que o ministro Maggi já havia determinado a cassação do certificado de exportação desses frigoríficos.

A entrada de cargas liberadas pelos fiscais acusados de corrupção e com origem de uma planta da BRF em Lapa, no Paraná (SIF 530), que está na lista dos 21 estabelecimentos, também segue proibida na China.

CHINA

O embaixador brasileiro em Pequim, Marcos Caramuru de Paiva, disse neste sábado (25/03) que a retomada das importações de carne brasileira pela China foram resultado de um intenso trabalho de informação feito pelos Ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores.

"Não sei a quantas perguntas respondemos", disse ele ao Estado. "Mantivemos um diálogo permanente."

Os integrantes do governo chinês pediram informações detalhadas inclusive sobre as investigações do esquema de corrupção, para entender onde exatamente estava o problema.

O governo brasileiro tem reforçado que a operação Carne Fraca, da Polícia Federal, investiga agentes públicos envolvidos num esquema de corrupção, e não as condições sanitárias dos frigoríficos brasileiros.

O embaixador ressaltou que, durante a crise, os chineses jamais fecharam seu mercado para a carne brasileira. "Eles mantiveram a confiança na gente", disse.

As autoridades locais apenas sustaram o desembaraço aduaneiro das cargas de carne como medida preventiva.

Na manhã deste sábado, anunciaram que vão retomar suas importações, suspendendo apenas as compras do frigorífico da JBS na Lapa (PR), onde se constatou que as licenças de exportação eram emitidas sem fiscalização, e as cargas cujo embarque foi autorizada pelos sete fiscais envolvidos na operação.

EGITO E CHILE

O governo brasileiro distribuiu neste sábado (25/03) nota oficial para informar "que os governos do Egito e do Chile, importantes parceiros comerciais, decidiram normalizar as importações de carne do Brasil após receberem todos os esclarecimentos e as informações técnicas transmitidas pelas autoridades competentes brasileiras".

A nota é assinada pelo presidente Michel Temer e pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

A decisão pela retomada da compra do produto nacional por Egito e Chile ocorre logo depois da China também ter resolvido liberar as importações da carne brasileira, com exceção das cargas relacionadas aos 21 frigoríficos investigados na Operação Carne Fraca da Polícia Federal. A reabertura do mercado chinês começa nesta segunda-feira.

De acordo com a nota de Temer e Maggi, "o Ministério da Agricultura do Egito declarou oficialmente ter certeza da qualidade da carne brasileira após exames realizados por três diferentes órgãos governamentais, que atestaram também que a produção de frango e carne bovina no Brasil está de acordo com as leis islâmicas".

O governo do Brasil confirmou ainda a informação publicada mais cedo pela Agência Estado de que o Serviço Agrícola e Pecuário do Chile (Servicio Agrícola y Ganadero) decidiu retirar o embargo às exportações brasileiras de carne. A suspensão imposta pelo Chile permanece restrita apenas às carnes bovinas, suínas e de aves das 21 unidades envolvidas na operação.

"As medidas anunciadas pelos governos do Egito e do Chile corroboram a confiança da comunidade internacional no nosso sistema de controle sanitário, que é robusto e reconhecido mundialmente", cita a nota.

"Ao agradecer por esse gesto de confiança e amizade, o governo brasileiro renova seu interesse em reforçar ainda mais os laços históricos mantidos com ambos os países e reafirma sua inequívoca disposição em seguir transmitindo a nossos parceiros comerciais ao redor do mundo todas as informações sobre a segurança dos alimentos produzidos no Brasil", acrescenta.

Foto: Fátima Fernandes/Diário do Comércio



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