São Paulo, 28 de Setembro de 2016

/ Brasil

Brasileiros foram às ruas em 24 Estados e no Distrito Federal
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Levantamento preliminar indica que 460 mil manifestantes protestaram contra o governo de Dilma Rousseff. Em São Paulo (foto), a PM estimou que 275 mil ocuparam a Avenida Paulista

Milhares de brasileiros de 24 Estados e do Distrito Federal foram às ruas neste domingo para protestar contra a corrupção e pedir a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

Com base em números divulgados pelas polícias militares estaduais e organizadores de movimentos, cerca de 460 mil pessoas participaram das manifestações. O maior contingente se concentrou, mais uma vez, em São Paulo, com 275 mil manifestantes, de acordo com estimativas da Política Militar.

Ainda assim, o número na capital paulista é bastante inferior ao verificado em 15 de março, quando a PM disse que cerca de 1 milhão de pessoas estiveram na Avenida Paulista e nos arredores para protestar. Em Brasília, outras 25 mil pessoas foram às ruas segundo a PM. No mês passado, eram cerca de 40 mil manifestantes.

Em duas capitais, em Salvador (BA) e Vitória (ES), a PM não fez projeções. Assim, os organizadores estimam que 2 mil pessoas estiveram nos protestos na capital baiana, enquanto 5 mil participaram das manifestações em Vitória.

O menor número de pessoas nas manifestações mostra que o debate em torno de algumas bandeiras, como o impeachment da presidente, é mais complexo e precisa de condicionantes, avalia Marco Antonio Carvalho Teixeira, cientista político e professor da FGV.

"Sinaliza ainda que as respostas buscadas pelo governo federal, como a sanção da lei anticorrupção e trocas em alguns ministérios, surtiram efeito, ainda que a insatisfação da população tenha crescido", complementa.

“Manifesto sem liderança, ou com várias lideranças com objetivos diversos, não tem futuro”, afirmou o economista e consultor Nelson Barrizzelli ao Diário do Comércio. “Quando a massa percebeu que poderia perder os benefícios sociais votou na Dilma. Agora que as pessoas começam a perder o emprego, cai o prestigio da Dilma. Mas o máximo que pode ocorrer é a Dilma ter baixa aprovação”.

"A rejeição das pessoas em relação ao governo não diminuiu. O governo continua muito mal avaliado, mas como não existe um fato que justifique o impeachment, as pessoas se questionam se vale todo o esforço quando o resultado não é concreto", disse Teixeira.

Quase todos os capitais  e o Distrito Federal registraram atos contra o governo. Além de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Manaus, Recife e outros.

Em São Paulo, a manifestação se concentrou na Avenida Paulista, com a presença de 275 mil pessoas, de acordo com estimativa da Polícia Militar.Mais uma vez o Instituto Datafolha e a Polícia Militar divergiram sobre o número de pessoas que participaram das manifestações O Datafolha estimou o número de participantes em 100 mil e no horário de pico, às 16 horas, contabilizou 92 mil participantes.

PROTESTO EM SÃO PAULO: NÚMEROS DIVERGENTES

Esses números representam menos da metade do total de pessoas que foram à Avenida Paulista para protestar no dia 15 de março. Naquele dia, a Polícia Militar avaliou em cerca de 1 milhão o número de pessoas que estiveram na Avenida Paulista para protestar contra o governo petista. Na ocasião, o Datafolha contabilizou 210 mil participantes no local.

Entre os presentes estavam o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) e o suplente do senador José Serra, José Aníbal (PSDB).

Perto do meio-dia, a população começava a ocupar as calçadas da Avenida Paulista e os motoristas promoviam buzinaços. Na avenida, o partido Solidariedade coletava desde as 9 horas assinaturas para um abaixo-assinado pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

Caminhoneiros, depois de buzinar na Marginal do Tietê, interditaram a Marginal do Pinheiros com a intenção de seguir até a Paulista. Outro grupo vinha pela Rodovia Presidente Dutra. Durante a tarde, cerca de caminhoneiros fizeram buzinaço na esquina da Rua da Consolação com a Avenida Paulista.

Dez mil pessoas participaram dos atos contra a corrupção e contra o governo em Campinas, interior de São Paulo, segundo a Polícia Militar. Para o Movimento Brasil Livre (MBL), o publico chegou a 30 mil. Os manifestantes se concentraram no Largo do Rosário, na região central, e saíram em passeata pelas avenidas Francisco Glicério, Moraes Sales e Júlio de Mesquita, no bairro Cambuí.

Os protestos reuniram cerca de 17 mil manifestantes nas cidades de São José do Rio Preto, Bauru e Araçatuba, no interior de São Paulo, número inferior ao da passeata de 15 de março.

NOS ESTADOS

Cerca de dez mil manifestantes, segundo a PM, caminharam na orla de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. Três carros de som de diferentes grupos pediam a saída de Dilma. O ato do movimento Vem pra Rua, que cerca o primeiro dos carros de som dispostos na Praia de Copacabana, terminou por volta de 13h30 com o hino nacional. Os organizadores pediram para que os manifestantes dessem as mãos.

MANIFESTAÇÃO EM COPACABANA (RJ)

Cerca de 25 mil pessoas voltaram às ruas em Brasília neste domingo. O número foi praticamente a metade do estimado na manifestação de 15 de março, que reuniu cerca de 45 mil a 50 mil pessoas em frente ao Congresso Nacional.

Organizado por sete diferentes grupos, o protesto começou às 9h30 e durou aproximadamente três horas. A principal bandeira da manifestação foi o Fora Dilma, estampado em camisetas, cartazes e palavras de ordem.

Algumas faixas elogiavam o papel da Polícia Federal e do juiz Sérgio Moro, responsáveis pelas investigações da Operação Lava Jato, que apura o esquema de corrupção na Petrobras.

Durante o protesto, o grupo que defendia a intervenção militar ficou isolado. Com um carro de som próprio, os defensores da volta das Forças Armadas ao poder foram vaiados pelos demais grupos.

Em Porto Alegre, a Brigada Militar estimou em 35 mil manifestantes marchando contra o governo federal e pela saída da presidente Dilma Rousseff (PT).

O ato em Florianópolis, capital catarinense, teve início por volta das 16h30. Os manifestantes saíram do Trapiche, na Beira Mar Norte, em direção ao prédio da Polícia Federal. De acordo com cálculos da Polícia Militar, até por volta das 18 horas cerca de 10 mil pessoas aderiam ao movimento.

Prevaleceram as palavras de ordem "Fora Dilma" e "Fora PT". O Movimento Brasil Livre coletou assinaturas para um abaixo-assinado a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A manifestação contra o governo Dilma Rousseff na capital mineira acabou por volta das 14h30. O ato começou na Praça da Liberdade, às 10 horas, e seguiu para a Praça da Estação, no centro da cidade.

Conforme a Polícia Militar, na praça da Estação, o pico de pessoas presentes chegou a 6 mil, um pouco a mais do que no local de concentração, que foi estimado em 5 mil. Lideranças dos movimentos organizadores, porém, contabilizaram 20 mil pessoas na Praça da Estação e umas 15 mil na Praça da Liberdade.

Havia a expectativa da presença do senador e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, no ato de hoje, o que não ocorreu.

NO EXTERIOR

Cerca de 40 brasileiros fizeram uma manifestação neste domingo, 12, em Nova York contra o governo Dilma Rousseff e a corrupção no País. O protesto foi na Times Square, principal ponto turístico da cidade. Vestidos de verde e amarelo e segurando bandeiras do Brasil, os manifestantes cantaram o hino nacional e gritaram frases como "fora Dilma", "fora PT" e "Lula cachaceiro, devolve o meu dinheiro". Alguns também seguravam cartazes pedindo a saída de Dilma.

Igual número de partticipantes se reuniram em uma manifestação realizada em Paris contra a corrupção, pela reforma política e em solidariedade aos protestos no Brasil. O grupo, que há havia se mobilizado em março, reuniu-se próximo à embaixada brasileira na França e, com gritos de ordem, pediu mudanças no sistema político.

A manifestação aconteceu por volta de 17 horas (12h em Brasília) em Alma Marceau, próximo ao centro da capital francesa.
Também foram registradas manifestações contra o governo brasileiro em outros países europeus, como Portugal, Alemanha e Irlanda.



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