São Paulo, 03 de Dezembro de 2016

/ Brasil

Brasileiros estão entre os mais insatisfeitos do mundo com economia
Imprimir

Levantamento da Ipsos Public Affairs em 24 países revela que apenas 11% da população avalia positivamente a situação econômica. Sauditas despontam como os mais satisfeitos

O Brasil é um dos países com a população mais insatisfeita em relação à atual situação econômica. Segundo o instituto de pesquisa Ipsos Public Affairs, que realiza um ranking global mensal com 24 países, em abril, apenas 11% dos brasileiros avaliaram o momento econômico do país como bom. É o menor patamar desde o início da pesquisa, em 2010. No longo prazo, porém, o Brasil segue entre os países mais otimistas com a possibilidade de reversão do quadro.

A percepção do brasileiro começou a cair de forma mais acentuada em 2013. "Tivemos as manifestações de junho e a primeira grande queda nesse índice", diz Dorival Mata-Machado, diretor da Ipsos . "Porém, nós vimos, às vésperas da primeira manifestação deste ano (em março), um novo caminho de queda. Continua grande a crítica ao momento atual, e a percepção quanto à situação econômica ainda é muito preocupante", diz.

Para ele, o descontentamento do brasileiro está relacionado sobretudo à queda na oferta de crédito e à alta inflação, que resultam na queda do consumo. "Essa percepção mais negativa vem atingindo também as classes mais baixas, bem como o Nordeste, que começa a sentir agora, mais tardiamente, os efeitos da crise", diz Mata-Machado. Estudo da consultoria IPC Marketing indica que a participação do Nordeste no consumo nacional cairá de 19,5% para 19% neste ano, o primeiro recuo desde 2010.

LEIA MAIS: Executivos brasileiros lideram pessimismo mundial

"O principal detonador da confiança foi a queda do dinheiro disponível e a maior percepção da inflação - aquele dinheiro que o trabalhador conseguiu ganhar nos últimos anos começa a sair do seu bolso", diz Mata-Machado. Segundo o Banco Central, a expectativa dos economistas é de, com a alta do dólar e dos preços administrados, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atinja 8,25% em 2015.

PESSIMISMO

O estudo da Ipsos também contempla a percepção que os brasileiros têm de sua situação local, como cidade ou Estado. Nesse quesito, 18% da população considera sua economia local forte - cinco pontos porcentuais acima do mês anterior e sete pontos a mais do que em relação à perspectiva econômica nacional. "É um dado curioso, pois também pode indicar um certo pessimismo exagerado. Num momento de pessimismo, todo mundo tende a ver as coisas de forma mais negativa no quadro geral, ainda que não tenha essa mesma percepção no seu dia a dia."

De acordo com o ranking global, o país mais satisfeito com sua economia atual é a Arábia Saudita, com a aprovação de 93% da população. Em último lugar, atrás do Brasil e da França, está a Itália, com 10% da população satisfeita - dois pontos porcentuais a mais do que no início do ano.

OTIMISMO

Apesar de estar entre os últimos do ranking quanto à percepção atual do momento econômico, o Brasil continua como um dos mais otimistas no longo prazo entre os países pesquisados.

Segundo o estudo, mais da metade (53%) dos brasileiros acredita que a economia da região onde moram estará mais forte daqui a seis meses. O Brasil só fica atrás da Índia (59%) e da Arábia Saudita (58%). O país mais pessimista é a França - apenas 7% da população acredita que a situação vai melhorar nos próximos meses.

Apesar do resultado favorável, a situação do Brasil já foi melhor. Em 2010, o País liderava o ranking, com 79% de otimistas. Em maio de 2014, perdeu o topo para a Índia, e depois caiu mais uma posição.

Para ele, o otimismo, além de um "quê de fé latina", está relacionado ao rumo indicado pela nova equipe econômica. "Isso tem a ver com duas coisas: por um lado, acabou o número de más notícias grandes chegando.

Outro ponto é que há uma percepção de que mesmo que as ações tomadas pelo governo não sejam definitivas e decisivas, ações estão sendo tomadas, e a população sente esse movimento", disse. "Pela primeira vez, tivemos uma deterioração da economia concomitante a um crescimento da percepção de corrupção. A população fez um link que antes não fazia - está muito mais madura."



Recuperação somente será efetiva mediante o ajuste das contas públicas e continuidade da redução da taxa de juros pelo Banco Central

comentários

O país foi novamente superado por economias que recentemente passaram por forte crise como a Grécia, Ucrânia e Rússia, de acordo com levantamento de agência de risco

comentários

Para Murilo Ferreira, presidente da Vale, além de ter de resolver suas próprias questões internas, país pode sofrer mais com as consequências da globalização

comentários