Brasil

Brasileiro inicia 2017 pessimista


O Índice Nacional de Confiança, da ACSP, mostra que desde dezembro do ano passado o otimismo da população só recuou


  Por Redação DC 22 de Fevereiro de 2017 às 18:30

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


As perspectivas de melhora na economia parecem que ainda não foram sentidas pelo brasileiro, que tem se mostrado pessimista nesse início de ano. Em fevereiro, o Índice Nacional de Confiança (INC) registrou a terceira queda mensal seguida. O indicador apontava 79 pontos ao final de 2016, caiu para 77 pontos em janeiro e agora marca 74. 

O INC é elaborado mensalmente pelo Instituto Ipsos a pedido da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Em sua elaboração são ouvidos 1,2 mil entrevistados de diferentes regiões do país. O Índice varia de zero a 200 pontos, sendo que pontuações abaixo de 100 denotam pessimismo.

A avaliação do brasileiro em relação as suas finanças pessoais piorou. Em janeiro, 53% dos entrevistados consideravam a própria situação financeira ruim, sensação apontada por 54% dos ouvidos no levantamento de fevereiro. 

O que preocupa é o fato da perspectiva futura também estar piorando. Ainda com relação às finanças pessoais, quando perguntado se em seis meses ela estará melhor ou pior, 35% responderam que irá melhorar. Em janeiro, eram 38% que tinham essa sensação mais otimista. 

Também caiu de 17% para 16% o número de pesquisados que se mostraram dispostos a realizar compras de valor médio para a casa, como um fogão ou uma geladeira. De maneira semelhante, recuou de 21% para 20% o número de pessoas que acreditam serem capazes de economizar para investir, se aposentar ou aplicar no estudo dos filhos. 

Muito do pessimismo se explica pela situação do emprego. A sensação de possibilidade de perda do emprego atinge 51% dos entrevistados, sendo que aqueles que se sentiam confiantes com a estabilidade na empresa, que eram 20% em janeiro, agora em fevereiro são 19%.

Uma média entre os entrevistados mostra que eles conhecem 5,87 pessoas que perderam o emprego nos últimos tempos.

“A confiança do brasileiro está estabilizada em nível baixo. Ele espera mais sinais da economia e do governo, e mudanças concretas, que deem segurança para voltar a gastar”, diz Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp). 

Para Burti, a liberação das contas inativas do FGTS pode ser um sinal nesse sentido. “A população já cortou gasto, trocou marcas de produtos, fez tudo o que pôde. O saque do FGTS poderá melhorar a impressão sobre a situação financeira do consumidor e a disposição para compras, ajudando a confiança a subir. Resta saber o tamanho do impacto que terá no INC nos próximos meses”, diz o presidente da ACSP. 

POR CLASSES SOCIAIS

As classes de renda menor começaram 2017 mais pessimistas pelos dados do INC. Na passagem de janeiro para fevereiro, o recorte do Índice de Confiança para a classe D/E mostra recuo de 79 pontos para 74 pontos. 
 
No caso da classe C, o recuo foi de 79 pontos para 75. Já a classe A/B, embora seja a menos otimista historicamente, registrou elevação no indicador, que nessa mesma comparação avançou de 65 pontos para 68 pontos. 

POR REGIÕES

A confiança oscilou bastante em algumas regiões. Segundo a ACSP, as recentes crises penitenciárias em presídios das regiões Nordeste e Norte do Brasil fizeram despencar o INC dos consumidores locais. 

Na passagem de janeiro para fevereiro, a confiança do nordestino bateu recorde de baixa, passando de 69 pontos para 58 – foi o menor valor registrado na região desde que o levantamento começou, em abril de 2005. 

No grupo formado pelas regiões Norte/Centro-Oeste, o INC caiu de 99 para 89 pontos. 

"Alguns fatores explicam essa queda, como a seca, as dificuldades financeiras dos governos, a crise de segurança em estados dessas regiões. Nessa situação, as pessoas deixaram de sair nas ruas, de movimentar o comércio e a cidade. A rotina foi alterada. Além disso, cenas como ônibus incendiados e massacres afetaram diretamente a sensação de segurança dos consumidores, deixando-os mais pessimistas", diz Burti. 

No Sudeste, houve leve melhora, de 72 pontos em janeiro para 74 em fevereiro. A confiança do Estado de São Paulo foi na contramão e encolheu quatro pontos (de 70 para 66). 

No Sul, segundo a ACSP, o ânimo em relação à safra agrícola e a possibilidade de equacionar as contas públicas no Rio Grande do Sul levaram a uma alta significativa, com INC passando de 80 para 86. 
  

ÍNDICE NACIONAL DE CONFIANÇA DO CONSUMIDOR - BRASIL

ACSP INC Onda143 Fevereiro2017 by diariodocomercio on Scribd

 

ÍNDICE NACIONAL DE CONFIANÇA DO CONSUMIDOR - SÃO PAULO

ACSP INC Sao Paulo Onda143 Fevereiro 2017 by diariodocomercio on Scribd

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