São Paulo, 29 de Setembro de 2016

/ Blogs

Você se preocupa com a marca Brasil?
Imprimir

O pesquisador e jornalista Rodolfo Araujo explica por que a percepção sobre uma nação conta muito na hora de globalizar marcas de produtos e serviços

Diversas marcas brasileiras expandiram suas operações nos últimos anos a ponto de verem a globalização das operações como um movimento inevitável. BRF, Embraer, Chilli Beans, Marfrig, Votorantim e Petrobras são algumas das bandeiras locais que expõem seus atributos no exterior. Segundo a mesma lógica, muitos pequenos e médios empreendimentos passaram a ver portas abertas em mercados externos - dos vizinhos do Mercosul aos mais longínquos, como China e Oriente Médio. 

Se a globalização de uma marca tornou-se menos árdua por conta das inúmeras facilidades logísticas e tecnológicas capazes de aproximar pólos e hemisférios, há fatores que ainda impõem barreiras para movimentos neste sentido, como protecionismo, legislações, entre outros.

Há um ainda mais crítico, ao qual pouco prestamos atenção: o fator Made in. Não importa a marca em questão: se ela for japonesa ou alemã, de saída ela será percebida de uma forma diferente se compararmos às argentinas e brasileiras, por exemplo. A procedência, assim como atesta a qualidade de queijos e vinhos, vale para produtos tecnológicos, automobilísticos, farmacêuticos, enfim, para todos os segmentos. 

A consultoria de marcas FutureBrand lançou nesta semana o Índice de Marcas-Países 2015, em que 75 nações foram avaliadas a partir de 2,5 mil entrevistas em 17 países junto a formadores de opinião, bem como turistas de lazer e negócios. 

De acordo com o estudo, conhecer um país não significa, necessariamente, que ele tem uma marca forte. Fatores como qualidade de vida, valores, potencial de negócios, atratividade turística e riqueza simbólica são alguns dos ativos que contribuem efetivamente para um alto valor de mercado. No estudo, o Japão figura como menos conhecido que a Itália, mas lidera o ranking em comparação ao país europeu, apenas o 17o. Um dos fatores para tanto é o grande número de produtos de alto valor agregado criados pelos próprios nipônicos, sobretudo no campo da tecnologia - enquanto o Brasil ainda se mostra um exportador de commodities. 

Países que investem pesadamente em inovação, pesquisa e desenvolvimento criam mercados, expandem oportunidades e vendem produtos relevantes para os demais países - por isso, são marcas fortes, como Alemanha no caso dos automóveis e a França, quando pensamos em moda.

As nações melhor percebidas abrem mercados e estabelecem acordos comerciais com mais facilidade, pois não precisam, a todo momento, convencer seus interlocutores do quão confiáveis são. 

A pesquisa também traz uma lista das cidades mais influentes do mundo. São Paulo e Rio de Janeiro aparecem, respectivamente, em 14o. e 15o, à frente de destinos como Los Angeles, Roma, Toronto, Seul e Mumbai. Ou seja, dentro de marcas-países coadjuvantes - como é o caso do Brasil - há pontos de inovação que podem ter lições replicáveis para o restante da nação.

Quanto maior a articulação de setores para a promoção do país no exterior, além do incremento em atividades de pesquisa e inovação, melhores serão as condições para que o ambiente de negócios local torne-se mais competitivo interna e externamente. Mas a sua marca tem um papel emergencial: o de participar ativamente deste debate.

Você pode baixar o estudo completo, em inglês, aqui.

 


A mudança de marca das 851 agências do HSBC para Bradesco deverá ocorrer entre 8 e 9 de outubro

comentários

Acima de um terço das companhias entrevistadas em levantamento da Ancham/SP informam que até dezembro colocarão em prática novos investimentos

comentários

Pesquisa revela que as classes de menos poder aquisitivo foram as que tiveram maior crescimento proporcional em relação ao levantamento de 2014

comentários