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Mapear processos industriais para ganhar competitividade


Otimizar processos produtivos para reduzir custos é um caminho promissor para se ter o tão almejado preço competitivo nos mercados globais


  Por Comércio Exterior 12 de Julho de 2017 às 10:15

  | O que sua empresa precisa saber para se dar bem vendendo para o mundo


Por Antonio Carlos Dantas Cabral (*) e José Cândido Senna (**)

O preço de exportação de mercadorias na unidade produtiva é, geralmente, formado a partir do que é praticado domesticamente, subtraindo-se impostos diretos e outras despesas relacionadas à comercialização do produto no País, como distribuição, propaganda e comissão de vendedor.

No momento em que as exportações são consideradas importante fator de estímulo a ganhos de competitividade do produto brasileiro, permitindo maior uso da capacidade instalada das indústrias, otimizar processos produtivos para reduzir custos é um caminho promissor para se ter o tão almejado preço competitivo nos mercados globais.

Buscar permanentemente esse ponto ótimo em seus processos internos fortalece as empresas sob dois pontos de vista: no mercado interno, ao suplantar a concorrência de produtos importados, e no externo, ao ganhar robustez para conquistar mercados-alvo no exterior, onde concorrem com fornecedores locais e estrangeiros.  

Dado esse cenário desafiador, é fundamental entender e identificar cada um dos passos ou atividades que transformam as entradas de informações ou materiais em produto ou serviço final ou intermediário.

Para tanto, duas ferramentas simples estão à disposição de gestores de indústrias de qualquer porte: o software livre BizAgi, para desenhar e compreender todo o processo produtivo, e o SIPOC – (em inglês, Suppliers, Inputs, Process, Outputs and Customer) para quantificar todas as origens, materiais, processos, saídas e destinos em cada uma das etapas da produção.

Ao utilizá-los, apenas com baixíssimo investimento de tempo de pessoal técnico, é possível identificar oportunidades de redução custos e de desperdícios nas operações fabris e de adição de valor aos resíduos inerentes aos processos.

Em resumo, o passo inicial para se tornar competitivo é conhecer e entender cada um dos passos e atividades que transformam as entradas de informações e materiais em produto ou serviço final ou intermediário. Dá-se a ele o nome de mapeamento.

Com as informações obtidas, parte-se para a avaliação criteriosa de todos os procedimentos operacionais de modo a se ter certeza que todos os detalhes estão sendo obedecidos e que a qualidade final é sempre a mesma. Em seguida, deve-se cronometrar cada um desses procedimentos e padronizá-los.

Concluídas essas atividades, pode-se dizer que a empresa realmente conhece seus processos e está pronta para identificar as reais oportunidades de redução de custo e de adição de valor.

Dois exemplos: o uso racional de áreas fabris permite liberar as que possam estar ociosas, fato que pode reduzir custos de aluguel ou permitir ampliação de área produtiva, gerando mais valor; otimizar os tempos de produção reduz os estoques intermediários, o tempo de processo e, consequentemente, o tempo de entrega de pedidos o que torna a empresa mais competitiva.

Usar adequadamente o tempo e o espaço físico, certamente, fortalecem a construção da base para se implantar a produção enxuta ou “lean manufacturing”, em que insumos, componentes e produtos acabados passaram a ser entregues com frequência maior e lotes menores.

Enquanto as indústrias se preparam para absorver as tecnologias de informação e comunicação (TICs) com fortes conexões pela Internet entre máquinas, sensores, celulares e outros itens, no contexto da chamada “Internet das coisas”, é fundamental que busquem ganhos de competitividade com o foco em exportações, cujas receitas também lhes permitirão fazer face aos investimentos necessários à inovação e à modernização tecnológica.

Essas questões serão analisadas e debatidas no workshop do EXPORTA, SÃO PAULO no próximo dia 25/07
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(*) Engenheiro, empresário e professor de cursos de pós-graduação  e graduação da Escola de Engenharia Mauá, com larga experiência profissional desenvolvida em grupos industriais (**) Coordenador Geral do Projeto EXPORTA SÃO PAULO, da FACESP e da São Paulo Chamber of Commerce./ACSP, em desenvolvimento desde 2004