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Nem Borá escapa da violência
A menor cidade do País registrou, pela primeira vez, o arrombamento de sua única agência bancária.
Ricardo Osman *
- 29/1/2009 - 21h55
O primeiro assalto a gente nunca esquece. Por isso, os 834 habitantes da cidade de Borá, o menor município do Brasil, localizado no sudoeste do Estado de São Paulo, não vão esquecer a madrugada do dia 28 de janeiro de 2009. Nesse dia, bandidos invadiram a agência do Banco Santander, na praça principal, e tentaram arrombar o cofre.
Como não conseguiram, levaram da agência, a única da cidade, apenas talões de cheque. Na saída, aproveitaram para roubar em uma gaveta o revólver calibre 38 e o colete do segurança da agência, que não estava de plantão.
Embora parcialmente frustrado, o assalto entrou para a história da pacata cidade. Nunca se viu nada igual em Borá desde sua fundação, em 1964.
A cidade gaba-se de sua tranquilidade, da beleza da igreja, do coreto na praça principal e da estátua do Cristo Redentor no alto do mirante. Localizada a 425 quilômetros de São Paulo, registra pouquíssimas ocorrências policiais. Em média, são três ou quatro por ano, a maioria por brigas em bar. O único caso de roubo de veículo que se tem notícias ocorreu em 2002. Dois anos depois, aconteceu o único homicídio já registrado, um crime passional.
Sem delegado -
"Achamos que foi gente de fora da cidade", disse ontem uma funcionária da prefeitura de Borá. "Todos aqui se conhecem." Ela deixa transparecer que não há como não dar risada do acontecimento: "Tivemos o nosso assalto", comentou.
A cidade está sem delegado e o único escrivão entrou de férias. Um investigador do município vizinho, chamado Quatá, é quem vai cuidar do caso inédito. O prefeito Luiz Carlos Rodrigues, o Luiz do Açougue, não foi localizado pelo Diário do Comércio para comentar o caso.
A quantidade de dinheiro movimentada na agência do Santander, que atraiu os ladrões,
não é desprezível. A agência tem as contas dos dois mil funcionários da usina de açúcar e álcool Ibéria, instalada na região. Desde que a usina passou a operar, há três anos, o fluxo de pessoas na cidade aumentou, mas não o número de habitantes. "A maioria dos trabalhadores foi viver em cidades vizinhas", diz o ex-prefeito de Borá Nelson Teixeira.
Campanha-
Nos últimos anos, autoridades locais fizeram uma campanha para atrair empresas e habitantes para o município. Agora, estão preocupados. "Não é esse tipo de gente que queremos por aqui", comenta o vereador Robson Donley, do PSDB. "Com essa história de ser a menor cidade do País, tem gente que cresce o olho, acha que é fácil vir aqui e roubar." Donley entrará com um requerimento na Câmara para aumentar o efetivo da Polícia Militar, formado por cinco policiais, nenhum deles com moradia na cidade.
Na noite do assalto, um único soldado estava de plantão no posto policial de Borá. E ele não percebeu nada de anormal na madrugada da cidade. Os bandidos tiveram a ousadia de cortar os fios de telefone do posto policial e de murchar o pneu da viatura antes de praticar o arrombamento na agência bancária. Por isso, quando o alarme tocou na sede da empresa de segurança, em São Paulo, os funcionários de plantão nada puderam fazer.
Fato isolado -
Há quem acredite que o assalto não irá mudar a rotina dos moradores da menor cidade do País. "O que ocorreu foi um fato isolado, a cidade é muito calma", afirma o frentista Carlos Roberto de Carvalho.
Seja como for, Borá entra, aos poucos, no mesmo mapa da violência que acomete as principais cidades do País, apesar de ser tão pequena que toda sua extensão pode ser vista em uma única foto, como mostra seu site oficial
(www.bora.sp.gov.br)
. (* com AE).
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