Política
Paz com Israel? É impossível, diz o presidente sírio
"O estabelecimento da paz no Oriente Médio é impossível por causa da ausência de um parceiro israelense", disse Assad a repórteres em Damasco, após se reunir com o presidente da Itália, Giorgio Napolitano, em visita ao país.
Agência Estado - 18/3/2010 - 22h45

Ao mesmo tempo em que o presidente Lula despachava o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para a Síria, o presidente daquele país, Bashar al-Assad, afirmava, ontem, que a paz no Oriente Médio é "impossível" atualmente. Segundo ele, esse quadro é fruto de ações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

"O estabelecimento da paz no Oriente Médio é impossível por causa da ausência de um parceiro israelense", disse Assad a repórteres em Damasco, após se reunir com o presidente da Itália, Giorgio Napolitano, em visita ao país.

As contínuas construções em assentamentos israelenses e a ocupação dos territórios árabes capturados em 1967 eram os "verdadeiros obstáculos" à paz na região, provocando "mais guerras e mais tensão", segundo Assad. O líder afirmou que a Síria "quer seriamente estabelecer uma paz justa e abrangente, através das negociações indiretas mediadas pela Turquia".

O governo de Netanyahu "não pode ser considerado um parceiro, pois responde aos pedidos pela paz com assentamentos e a 'judaização' de lugares sagrados (muçulmanos)" na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, avaliou Assad. Ele pediu que a Itália e a União Europeia pressionem os israelenses.

As conversas indiretas entre Israel e a Síria foram iniciadas em maio de 2008, mas estão suspensas desde a ofensiva israelense na Faixa de Gaza, em dezembro daquele ano. O governo israelense enfureceu a comunidade internacional ao anunciar planos de construir mais 1.600 casas para assentados judeus em Jerusalém Oriental, e também por incluir dois contestados templos da Cisjordânia como parte de seu patrimônio nacional.

Napolitano afirmou estar "profundamente desapontado com as decisões israelenses de construir assentamentos". Ele chamou a atenção ainda para a "consequência desastrosa" dessa ação.

 
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