Cidades
Quadrilhas fazem arrastões em bares de São Paulo
Número de vítimas pode ser maior que o registrado, pois algumas delas não registram a ocorrência.
Agencia Estado - 2/3/2010 - 09h10

SÃO PAULO - João Carlos não acreditou que escaparia da morte. À frente do China In Box - unidade Portal do Morumbi -, viu seu restaurante ser invadido por quatro ladrões, em 17 de fevereiro. O grupo levou não só o dinheiro do caixa como promoveu um arrastão entre os clientes. "Os assaltantes tinham revólveres e até facas", lembra. O estabelecimento dele integra uma lista de 14 assaltados dessa forma neste ano. O número pode ser ainda maior, pois algumas vítimas não registram a ocorrência.



A maioria dos arrastões e roubos ocorre em regiões nobres da cidade, como os bairros de Vila Olímpia, Morumbi e Campo Belo, todos na zona sul, e envolve quadrilhas distintas. O sindicato do setor explica que, em 2009, os ataques eram diferentes. Isso porque as quadrilhas buscavam o dinheiro do caixa, e em horários em que não havia mais clientes, como de madrugada e por volta de meia-noite. De dezembro para cá, criminosos têm preferido atacar quando a casa está cheia de clientes, pois conseguem levar celulares, joias e carteiras.



Edson Pinto, diretor de Relações Governamentais e Institucionais do Sindicato de Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares (SinHoRes-SP), diz que, no fim do ano passado, a presidência da entidade chegou até a comentar o problema com o secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto. No encontro, que fora organizado para discutir o tema Copa do Mundo, o foco acabou desviado para os roubos nos estabelecimentos. Procurada, a Secretaria da Segurança Pública informou desconhecer o encontro.



Para o diretor sindical do SinHoRes, a tendência é que os proprietários invistam na segurança dos restaurantes e bares para garantir a tranquilidade dos clientes. "Do ano passado até agora, não é só o restaurante roubado. Infelizmente, nossos clientes acabam sendo roubados também." Segundo ele, o setor vem tomando atitude individuais, como reforço de vigilantes e câmeras. Alguns locais improvisam e apelam até para viaturas da Polícia Militar que patrulham ruas próximas.



Defesa



A Secretaria da Segurança Pública foi procurada para informar se houve aumento de casos em relação ao mesmo período do ano passado, e sugeriu a pesquisa das estatísticas criminais que constam em seu site. Nesse índice público, no entanto, o roubo de restaurantes e bares aparece junto com os outros ataques a estabelecimentos comerciais da capital. Já os oficiais do 16º Batalhão (Morumbi) disseram que só iriam se manifestar hoje sobre os arrastões organizados na área.

 
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