Ali Mohammadi tinha acabado de deixar sua casa e estava a caminho do trabalho quando a bomba foi detonada. A explosão quebrou janelas da casa do professor no bairro de Qeytariyeh, norte de Teerã, e deixou a calçada manchada de sangue e cheia de escombros. Atentados a bomba são raros na capital iraniana.
A agência de notícias semioficial Isna citou o promotor de Teerã Abbas Jafari Dolatabadi confirmando o assassinato e dizendo que ninguém foi detido.
O governo acusou um grupo armado da oposição iraniana pelo ataque e afirmou que o grupo opera sob a direção de Israel e dos EUA. "Na investigação inicial, sinais do triângulo da maldade, pelo regime sionista, a América e seus agentes contratados, são visíveis no ato terrorista", disse o porta-voz do Ministério do Exterior, Ramin Mehmanparast, segundo a emissora estatal IRIB. Ele disse ainda que o assassinato do físico não pode frustrar o progresso científico e tecnológico do país.
Autoridades norte-americanas negaram a participação da CIA no atentado. "Qualquer sugestão de que a CIA desempenhou um papel aqui é totalmente errado", disse funcionário da inteligência dos EUA, falando sob condição de anonimato.
As atividades nucleares do Irã foram colocadas sob suspeita pelo Ocidente, que acredita que Teerã pretende fabricar armas nucleares. O Irã afirma que seu programa é pacífico.
Autoria - O atentado deixou uma incompreensível mistura de pistas sobre o professor sem atividade política relevante, trabalho de relevância militar ou tampouco ligação declarada com o programa nuclear do Irã.
A emissora IRIB se referiu a ele como "um cientista nuclear e um professor comprometido e revolucionário da Universidade de Teerã". Mas a agência de notícias semioficial Mehr citou um funcionário da Universidade de Teerã dizendo que Ali Mohammadi não estava envolvido em atividades políticas. "O proeminente professor não era uma figura política", disse Ali Moqari, chefe do departamento de ciências da universidade.
Um porta-voz da agência atômica iraniana, Ali Shirzadian, disse que o físico não tinha ligações com a instituição. "Ele não estava envolvido com o programa nuclear do país", afirmou, acrescentando que o professor tinha atividades apenas no campo teórico.
Antes da eleição, sites reformistas publicaram o nome de Ali Mohammadi numa lista de 240 professores universitários que apoiavam o líder opositor Mir Hossein Mousavi.
Além disso, alguns de seus alunos afirmaram que ele vinha manifestando sua oposição ao governo, informou o jornal Los Angeles Times. "Ele estava criticando abertamente funcionários de alto escalão na sala de aula", disse um dos estudantes, sob anonimato.