Internacional
Obama chega ao Cairo para abrir diálogo com muçulmanos
Discurso é direcionado a mais de 1 bilhão de muçulmanos. Al-Qaeda tenta convecer população a odiá-lo.
Efe, Reuters e Associated Press - 4/6/2009 - 06h17

Amr Nabil/ AP
O presidente egípcio Hosni Mubarak, à esquerda, recebe o presidente dos EUA, Barack Obama.

CAIRO - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chegou, nesta quinta-feira, 4, ao Cairo, na segunda etapa de sua viagem pelo Oriente Médio e Europa, onde pronunciará seu esperado discurso ao mundo muçulmano, no qual oferecerá a abertura de um novo diálogo.

Seu discurso é direcionado a mais de 1 bilhão de muçulmanos mas escolheu o Cairo como foco no Oriente Médio, onde ele encontra seus maiores desafios políticos. Obama chegou ao Cairo a bordo de seu avião presidencial, o Air Force One, que aterrissou às 9h05 locais (3h05 de Brasília).

Após uma cerimônia de boas-vindas, o presidente americano tinha previsto se reunir com seu colega egípcio, Hosni Mubarak, por uma hora, para abordar a relação bilateral e a situação no Oriente Médio, entre outros assuntos.

Mubarak viajaria na semana passada a Washington para se reunir  com Obama na Casa Branca, mas suspendeu a visita devido ao falecimento de um familiar. Em seu discurso, Obama, que também vai visitar nesta quarta-feira uma mesquita e as pirâmides, oferecerá ao mundo muçulmano a abertura de um novo diálogo, baseado no respeito mútuo e nos interesses comuns.

Nesse discurso, Obama também explicará a posição americana nas principais áreas de atrito na relação entre Washington e os países muçulmanos. O presidente americano dedicará atenção especial ao conflito palestino-israelense, e apesar de não apresentar um plano completo de paz, destacará o que cada uma das partes envolvidas no conflito  incluindo os EUA - deve fazer para superar os problemas da região.

O assessor político de Obama, David Axelrod, admitiu que é "inegável" que houve uma "ruptura entre EUA e o mundo muçulmano, uma ruptura que aconteceu ao longo dos anos". Essa ruptura, disse Axelrod, não vai ser resolvida imediatamente,e "talvez nem sequer em todo um mandato", mas "é importante para os EUA e para o mundo que tentemos abrir um diálogo".

O discurso estará disponível na página da internet da Casa  Branca, acompanhado de traduções completas em 13 idiomas. Obama tem prometido um novo caminho nas relações dos Estados Unidos com os muçulmanos, com base "no interesse e respeito mútuos".

Al-Qaeda quer reforçar imagem negativa

Um dia antes do presidente Barack Obama fazer seu discurso procurando o entendimento com o mundo islâmico, o líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden tentou em uma nova mensagem na quarta-feira, 3, convencer os muçulmanos a odiá-lo.

A mensagem é a segunda da Al-Qaeda em muitos dias de crítica a Obama.

Analistas dizem que a ofensiva mostra que a organização terrorista detesta o novo presidente que irá suceder na improvável imagem norte-americana no mundo muçulmano e sabota o grupo antiamericano jihad, ou guerra santa.

Obama encontrou com o rei saudita Abdullah durante a primeira parte de sua passagem pelo Oriente Médio. Seu discurso na Universidade do Cairo nesta quinta-feira, 4, é parte de uma campanha para mostrar que ele é diferente do presidente George W. Bush, que invadiu o Iraque com táticas agressivas para conter o terrorismo e aqueles que davam suporte a Al-Qaeda.

A Al-Qaeda, por sua vez, tenta conter a mensagem de quem Obama é diferente de Bush, já que ele está envolvido nos conflitos do Afeganistão, Paquistão e Iraque.

O secretário da Casa Branca, Robert Gibbs, na Arábia Saudita com Obama, disse que a Al-Qaeda busca "afastar a atenção da missão história do presidente... (para) abrir o diálogo com o mundo muçulmano."

Obama é popular no Oriente Médio, em parte pelas suas palavras amigáveis com o mundo islâmico, sua promessa de retirada do Iraque e sua trajetória pessoal. Muitos árabes ainda se mantém céticos sobre como será a mudança da política norte-americana e como ela vai influenciar Israel.

Viagem termina na França 

No Cairo, onde permanecerá por apenas oito horas, além de pronunciar seu discurso, Obama deve se reunir com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, e visitar uma mesquita e as pirâmides.

A viagem do presidente americano, que começou na quarta-feira na Arábia Saudita, seguirá ainda para a Alemanha, onde visitará o campo de concentração de Buchenwald e se reunirá com a chanceler, Angela Merkel.

A última parte do giro de Obama será a França, onde participará dos atos de comemoração do 65º aniversário do Desembarque da Normandia e se reunirá com o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

 
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