Economia
Mantega admite retração da economia no 1º trimestre
Ministro ressalta, porém, que resultado "não diz nada do que está acontecendo na economia agora".
Agência Estado - 28/5/2009 - 16h09

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quinta-feira, 28, que o Brasil teve crescimento negativo no primeiro trimestre de 2009. Em audiência pública no Senado Federal, Mantega disse que ainda não sabe os números que serão divulgados no início de junho, mas que, de fato, houve um crescimento negativo no período.

"Mas não dá para concluir que houve recessão. Esse conceito de recessão técnica pode ser adotado ou não. Tem economistas que consideram que um resultado negativo por dois trimestres consecutivos representa recessão técnica, mas temos de ver o que isso significa do ponto de vista econômico", disse o ministro, destacando que não gostaria de polemizar com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que avaliou na quarta que o País já está em recessão técnica.

Para Mantega, o resultado do primeiro trimestre não diz nada do que está acontecendo na economia agora. "Estamos olhando pelo retrovisor", avaliou. O ministro disse que, até setembro, nenhum economista sabia a virulência da crise. "Em agosto, eu não ia fazer terrorismo econômico. A economia estava indo bem", disse Mantega.

Segundo ele, em 2008, não dava para prever que o País teria uma economia negativa em 2009. Por isso, segundo ele, o Brasil estimou um crescimento para este ano entre 4% e 5%. "A crise foi de uma virulência maior que imaginávamos. Mudamos nossas projeções e adotamos medidas para combater essa crise", disse o ministro.

De acordo com Mantega, a crise serviu para pôr o Brasil à prova. "E nos saímos muito bem. O importante é que estamos em processo de recuperação", disse. Ele, no entanto, admitiu que ainda há problemas sérios para serem resolvidos como a oferta de crédito e a redução das taxas de juros. "Eu tenho assumido todas as dificuldades e estamos tomando medidas rapidamente para enfrentar esses problemas", destacou. Ele lembrou que tem recebido críticas de articulistas sobre as suas projeções. O ministro destacou, entretanto, que, desde 2006, tem acertado as projeções de crescimento do PIB, mas disse que 2009 é um ano atípico.

 

Recuperação

O ministro afirmou ainda que a economia brasileira vai se recuperar em 2010 e deve ter um crescimento entre 3% e 4%. Mantega destacou que o desempenho econômico dependerá do mercado interno e das medidas anticíclicas adotadas pelo governo.

Ele destacou que se não fossem adotadas medidas este ano, como redução de tributos, o nível de atividade econômica poderia ser ainda menor em 2009. Mantega citou a redução de IPI para automóveis, linha branca e alguns setores da construção civil. Segundo ele, o governo perderia mais tendo que pagar seguro-desemprego, por exemplo, do que tem deixado de arrecadar. Com as medidas anticíclicas, "a recuperação da economia ocorre mais rapidamente. Mesmo tendo uma perda de arrecadação agora, a atividade econômica acaba tendo uma vantagem", disse o ministro.

Para Mantega, a crise não acabou mas já há sinais positivos nas economias. "Talvez tenha passado o pior momento e estamos retornando para níveis de normalidade nos últimos meses", disse. Segundo ele, isso se deve à consolidação do governo de Barack Obama nos EUA, e à melhora da confiança em vários mercados.

O ministro disse que isso não significa que os problemas centrais tenham sido resolvidos. Ele afirmou que os ativos tóxicos em algumas instituições não foram solucionados. "A recessão será mais forte nos primeiros trimestres e, no final do ano, teremos uma mudança e algumas economias já estarão trabalhando com PIB positivo."

Mantega projetou que o PIB médio das economias avançadas em 2009 será negativo em 4%. A boa notícia, segundo ele, é que já há uma recuperação e que, em 2010, essas economias estarão com resultado do PIB modesto, mas positivo.

Para o ministro, nos próximos dois ou três anos, as economias avançadas terão um comportamento fraco. Já nos países emergentes, Mantega disse que a recuperação será mais rápida e que, em 2010, eles voltarão a crescer em patamares iguais a antes da crise.

 
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