Diario do Comércio - Dcomercio.com.br - quinta-feira, 2 de setembro de 2010

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Sony Music relança segundo disco-solo de Mussum, gravado em 1980

Sony relança segundo disco-solo de Mussum.
Lucas Nobile/AE - - 2/3/2010 - 13h41

Divulgação
São Paulo - Quando "Os Trapalhões" decolaram definitivamente na TV Globo, Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum, teve, naturalmente, de abandonar "Os Originais do Samba", grupo que ajudou a fundar na década de 1960. O que pouco se sabe é que paralelamente a tudo isso o comediante e sambista gravou três discos-solo. O segundo deles, "Descobrimento do Brasil", foi registrado em 1980 pela antiga RCA Victor e acaba de ser relançado pela Sony Music.


O álbum não deve nada aos outros dois, "Água Benta" (1978) e "Because Forever" (1986). Mussum era do métier, frequentando as rodas do Cacique de Ramos e convivendo com os bambas da época. Como se não bastasse o fato de passear com naturalidade pelo universo dos sambistas, Mussum também emprestava seu carisma conhecido nas telas aos microfones dos estúdios, com afinação e divisão rítmica destacadas.

Além disso, em "Descobrimento do Brasil", ele teve o privilégio de contar com um instrumental luxuoso, sendo amparado por feras como Dino Sete Cordas (violão 7 cordas), Luizão Maia (baixo), Wilson das Neves (bateria), Almir Guineto (banjo), Bira Presidente (pandeiro), Ubirani (repique), Sereno (tantã), Chiquinho (acordeon), Zé Bodega, da lendária Orquestra Tabajara (sax tenor), entre outros.

Nas 11 faixas, Mussum mostra-se versátil ao interpretar versos de amor escritos por grandes compositores, como em "Um Amor Em Cada Coração", de Vinicius de Moraes e Baden Powell - com bela participação da cantora Márcia -, e em "Criança Louca", de Jorge Aragão e do saudoso Neoci Dias, também integrante da primeira formação do Fundo de Quintal. Mas é nos sambas jocosos que ele deita e rola, com letras que parecem ter sido escritas para sua voz. Exemplos maiores são "A Vizinha" (Paulinho Durena e Alfredo Melodia) e o destaque, "Nega Besta". Na música, derivada de "The Old Fashioned Way", Mussum desfila seu vasto vocabulário de palavras terminadas com "is", como "casis" (casa) e "housis" (house), com versos hilários do genial Arnaud Rodrigues, que faleceu no último dia 16. A letra é representante da linha seguida ainda hoje por Nei Lopes, Germano Mathias e Trio Calafrio, com Marcos Diniz, Luiz Grande e Barbeirinho do Jacarezinho.

O álbum tem ainda bons momentos, com Martinho da Vila cantando "Teatro Brasileiro", samba que impressiona pelo jeito semelhante de interpretação entre ele e Mussum, além da discreta participação dos Trapalhões em "Descobrimento do Brasil," no qual o cantor é acompanhado por crianças. Por fim, com "Eu Sou Assim", o disco deixa a certeza de que o dia 29 de julho de 1994 não nos levou apenas um gênio do humor, mas também um grande sambista.

 

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